A História dos Baptistas começou com actos de grande ousadia e valentia praticados por grandes homens. Como não temos conhecimento de que alguma mulher estivesse envolvida no movimento que deu origem aos Baptistas, sem minimizar o trabalho que as mulheres têm feito através da história, quisemos colocar este resumo histórico nesta secção dos homens para ver se de algum modo somos desafiados, como homens que pouco aderem às coisas religiosas, a agir no século XXI. Deleite-se e deixe-se desafiar com esta singela história.
RESUMO DA HISTÓRIA DOS BAPTISTAS (I)
Em termos históricos, os baptistas, como denominação evangélica cristã, têm apenas 400 anos de existência. A Reforma Protestante já tinha ocorrido. A Europa vivia um período de transição. Portugal vivia a experiência da derrota da batalha de Alcácer-Quibir, com a morte de D. Sebastião, que não deixou herdeiros ao trono, e, por conseguinte, o seu tio D. Henrique, que era cardeal, assumiu o trono por pouco tempo, pois morreu em 1580. Filipe II, rei de Espanha, tomou conta do poder. Ele conseguiu a união dos dois países, porque teve o apoio dos jesuítas e da Inquisição, e tinha como objectivo formar um ocidente profundamente católico, impedindo que o protestantismo progredisse na Península Ibérica. Em 1598, Filipe III de Espanha, II de Portugal, torna-se rei aos 20 anos. Foi fraco e sem aptidão para governar, prejudicando Portugal com as suas políticas, ao colocar ministros e magistrados espanhóis no nosso país. Os portugueses andavam descontentes. Mas os jesuítas e a inquisição mantiveram o seu poder religioso.
Entretanto, um movimento puritano começou em Inglaterra, no tempo da rainha Elizabeth I, a qual não simpatizou com ele e procurou criar uma conformidade religiosa através da lei. Após a sua morte, em 1603, o rei James I, que se achava com direitos divinos e que só teria de responder perante Deus, exerceu um governo coercivo e faccioso. Foi ele que obrigou toda a gente a ir à igreja aos domingos e oficializou a King James Bible (Versão da Bíblia do Rei Tiago). No entanto, não dava ouvidos às exigências dos Puritanos para haver uma reforma na igreja, que, apesar de se ter desvinculado de Roma, ainda mantinha a doutrina e prática católicas. É a partir do movimento puritano que alguns homens começam a separar-se da Igreja de Inglaterra e a formar as suas próprias congregações independentes, os quais passaram a ser designados por “separatistas”. Muitos separavam-se por questões pragmáticas, outros por questões de princípios.
Uma das pessoas que se separou por questões de princípio foi John Smyth. Apesar de ter sido ordenado sacerdote da Igreja Anglicana, em 1594, começou a criticar fortemente o estado da igreja, principalmente a prática do baptismo infantil e a rígida liturgia no culto. Ele achava que a verdadeira adoração deveria ser feita com espontaneidade e não seguindo a leitura do missal. Quanto ao baptismo de crianças, ele considerava a sua prática um autêntico adultério espiritual. Em 1600, deram-lhe o cargo de conferencista da cidade, o que o dispensou das funções pastorais não tendo de baptizar mais crianças. Mas porque denunciava publicamente os pecados de líderes proeminentes, foi despedido desse cargo. Enquanto esteve em Gainsborough, muitas vezes foi convidado pela congregação para pregar, porém as autoridades eclesiásticas proibiram-no de o fazer. Isto foi a gota de água que fez transbordar o copo. Ele rompeu definitivamente com a Igreja de Inglaterra. A partir daqui passou a ser perseguido, pois o rei James I ameaçou correr com todos aqueles que não se conformassem à igreja do estado. Em 1607, Smyth juntamente com outros fugiram para a Holanda formando uma igreja, cujo princípio fundamental era o baptismo dos crentes. Eles defendiam que só deveria ser baptizado quem tivesse capacidade para confessar a sua fé em Cristo. Com isto em mente e tendo consciência que a sua igreja era constituída por pessoas refugiadas vindas da igreja de Inglaterra, Smyth convenceu os membros da sua igreja a dissolverem a igreja existente, a renunciarem ao seu baptismo anterior, que tinha sido em criança, e a serem baptizados novamente. Ele baptizou-se a si mesmo e depois baptizou toda a congregação. Assim, em 1609, surgiram os primeiros baptistas. O princípio fundamental, nesta altura, era o baptismo de pessoas que voluntariamente confessavam a sua fé em Jesus Cristo, como o único e suficiente Salvador de cada ser humano.
