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	<title>Igreja Baptista de Almada &#187; Mensagem</title>
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	<description>Alargando o círculo</description>
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		<title>CONVERSA DE LOUCOS</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 12:04:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[“Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios” (Jó 2:10)
A história de Jó tem sido usada milhares de vezes para consolar pessoas que estão a passar por diversas dificuldades na vida. Espera-se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“<em>Mas ele lhe disse: Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos de Deus o bem, e não receberemos o mal? Em tudo isso não pecou Jó com os seus lábios</em>” (Jó 2:10)</p>
<p>A história de Jó tem sido usada milhares de vezes para consolar pessoas que estão a passar por diversas dificuldades na vida. Espera-se que a lembrança daquilo por que passou Jó sirva de panaceia para a dor que o ser humano experimenta. Por isso, menciona-se de imediato que Deus acabou por dar a Jó o dobro daquilo que ele tinha antes da calamidade. Com este pensamento, as pessoas estão sempre à espera que chegue a solução. Afinal, não é para isso que Deus serve? – diriam alguns. Mas estas palavras de Jó fazem-nos pensar. Estará Jó à espera da recompensa de Deus? Estará ele a pensar que a crise vai ser passageira e que em breve, num abrir e fechar de olhos, Deus vai recompensá-lo?</p>
<p>A mulher de Jó, sabendo que ele sempre tinha sido íntegro na sua relação com Deus, não tem meias medidas. Perante uma situação daquelas, só há uma coisa a fazer – o suicídio. As palavras dela são as seguintes: “Ainda reténs a tua integridade? Blasfema de Deus e morre”. Antigamente acreditava-se que quem blasfemasse de Deus seria de imediato castigado. Portanto, a blasfémia contra Deus seria um acto suicida, porque a morte viria de imediato. Pensava-se também que com a morte tudo acabaria, incluindo os problemas para a pessoa.</p>
<p>Mas as palavras de Jó são de uma sabedoria extraordinária. Primeiro, ele considera que aquele tipo de conversa só pode vir de pessoas loucas. O termo hebraico <em>nabal</em> refere as pessoas que não têm qualquer percepção dos aspectos éticos e religiosos. O profeta Ezequiel diz que os profetas loucos são aqueles que seguem o seu próprio espírito e coisas que não viram (Ez. 13:3). As pessoas são insensíveis religiosa e moralmente, tornando-se incapazes de reconhecer os benefícios de Iavé. Em situações de aflição, as pessoas esquecem tudo aquilo que receberam de Deus. Por conseguinte, acabam por se tornar ignorantes das coisas espirituais e aí começa a blasfémia contra Deus. O deuteronomista fala das pessoas loucas que traçaram os seus planos de vida sem consultar a Deus, mas consultavam os outros deuses tornando-se uma geração perversa e torcida. Por isso, lança esta pergunta: “Recompensais, assim, ao Senhor, povo louco e ignorante? Não é ele teu Pai, que te adquiriu, te fez e te estabeleceu?” (Deut. 32:6).</p>
<p>Em segundo lugar, Jó defende que se estamos prontos a receber de Deus as coisas boas da vida, também devemos aceitar as adversidades da vida. Quando Jó ficou sem os seus bens e filhos, a sua atitude foi de humildade a ponto de adorar a Deus e dizer: “O Senhor deu, e o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor.” (Jó 1:21). Ele ficou sem nada e mesmo assim não imputou a Deus qualquer falta. Nele não havia qualquer sentimento de vergonha ou revolta, apenas de aceitação da vontade de Deus. Se Deus permitiu que tudo aquilo lhe acontecesse, Ele teria as Suas razões. Quem era Jó para questionar Deus? Agora, estava a sofrer na carne algo insuportável a ponto de necessitar de um caco para se raspar. Ao sentar-se na cinza, ele estava a tornar pública a sua situação. Dizem alguns estudiosos que este acto era feito no meio da praça pública, para que todos soubessem o que se passava. Ao mesmo tempo, Jó tornava pública a sua integridade para com Deus. Ele não culpou Deus do que lhe estava a acontecer. Portanto, mais uma vez ele não pecou com os seus lábios. É preciso ter uma forte comunhão com Deus e uma consciência plena de quem Deus é para não se blasfemar contra Ele. Para muitos, Jó é que estava a ter uma conversa de loucos, porque dizem que na vida real isto nunca acontece. Mas a história está no livro sagrado para nos ensinar algo de importante acerca de Deus.</p>
<p>Tiago diz-nos que as provações não vêm de Deus, mas vêm através da atracção e do engodo da nossa própria concupiscência. Quando as pessoas se deixam atrair e engodar pela ambição, pela cobiça e pela avareza, quando as pessoas começam a viver acima das suas posses por causa de um apetite desordenado, quando as pessoas não controlam os seus gastos, gera-se o pecado no ser humano. Neste caso, Tiago desenvolve um conceito fundamental em relação àquele que confia nas suas posses, porque está sempre sujeito a passar como a flor da erva. A morte é a consequência do pecado. Mas de Deus vem toda a boa dádiva e todo o dom perfeito. Portanto, “não erreis, meus amados irmãos” (Tiago 1:16).</p>
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		<title>ELIAS &#8211; UM HOMEOPATA</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 11:44:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[“Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.”
(Tiago 5:17-18)
O alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), renunciando à prática médica porque achava que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“<em>Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e, orando, pediu que não chovesse, e, por três anos e seis meses, não choveu sobre a terra. E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.</em>”<br />
(Tiago 5:17-18)</p>
<p><img class="alignleft" src="http://3.bp.blogspot.com/_aA2CsGFGnDE/S2dN0O-dl_I/AAAAAAAAA24/xATODnxDDt0/s400/Homeopatia_floraionline.jpg" alt="" width="204" height="157" />O alemão Samuel Hahnemann (1755-1843), renunciando à prática médica porque achava que os métodos usados na época causavam grandes danos nos pacientes e os médicos tornavam-se assassinos dos seus irmãos, desenvolveu os princípios de um método que viria a chamar de “homeopatia”. A homeopatia é um tratamento alternativo à medicina convencional que se baseia no princípio de que “os semelhantes curam-se pelos semelhantes” (<em>similia similibus curantur</em>). A palavra vem da composição de dois termos gregos que são: <em>hómoios + páthos</em> (= semelhante + doença). O homeopata aplica ao paciente doses muito pequenas dos agentes que produzem os mesmos sintomas em pessoas saudáveis, estimulando uma reacção de restauração da saúde no sistema de cura natural da pessoa pelas suas próprias forças. Em termos de exemplo costuma-se mencionar a prática na China de se beber chá quente em dias quentes. O homeopata normalmente aplicou em si determinadas substâncias para ver os seus efeitos. Se determinada substância provocava febres nele que estava são, então essa substância aplicada em doses extremamente pequenas e diluída ajudaria o paciente em estado febril a baixar a febre. Desta forma poderemos dizer que o homeopata se identificava com o paciente.</p>
<p>No texto citado acima, lemos que Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós. O termo grego para “sujeito às mesmas paixões” é <em>homoiopathés</em>, palavra que significa que a pessoa foi “afectada com o mesmo”. Na realidade, a palavra <em>pathés</em> está associada à raiz que significa “sofrimento”. Tiago está a dizer que Elias era uma pessoa que sofria da mesma forma que qualquer outro ser humano. Certamente ele estava a fazer esta referência porque as pessoas costumavam pensar em Elias como o grande profeta de Deus que foi capaz de sozinho enfrentar 400 profetas de Baal no monte Carmelo (1 Reis 18) e vencê-los no desafio de pedir cada um ao seu deus fogo vindo do céu. No entanto, o objectivo de Tiago é dizer que Elias passou por situações, circunstâncias e sentimentos semelhantes ao de qualquer pessoa. Se nós nos sentimos impotentes, se sentimos aflição, se desanimamos, se ficamos frustrados, se temos medo, também Elias passou por tudo isso. Não olhemos para Elias como o super profeta, mas como o homem que sofre da mesma maneira que nós sofremos.</p>
<p>Certamente a diferença está no facto de ele procurar um remédio para a situação da sua vida e do povo a quem se dirigia. O povo estava afastado de Deus seguindo e adorando outros deuses. O rei Acabe, casara com Jezabel, filha de Etbaal, e começou a adorar ao deus Baal (1 Reis 16:29-33). Isto trouxe uma seca espiritual para o povo que acabou por seguir as pisadas do rei. Para que o povo pudesse sentir a sua sede espiritual, nada melhor do que fazê-lo passar por uma seca real. Elias falou que iria haver uma seca de três anos e meio. A seca veio, transtornando tudo e todos. A cegueira era tanta que mesmo assim Acabe culpou Elias daquela seca. Mas o profeta desafiou o povo e todos os adoradores de Baal, presumivelmente o deus da fertilidade e das chuvas, para que lhe pedissem fogo a fim de queimarem o holocausto em cima do altar. Nada aconteceu, durante todo o tempo em que os adoradores de Baal se mutilavam e gritavam ao seu deus para que mandasse fogo do céu. Elias fez uma pequena oração e Iavé enviou fogo que consumiu um holocausto encharcado de água.</p>
<p>Tiago diz-nos que Elias orou e o céu deu chuva e a terra produziu fruto. Elias foi o médico homeopata do povo de Israel, pois sofreu com eles, identificou-se com eles, mas sempre fiel a Deus. Em tempo de seca, Deus providenciou o necessário para Elias, até que vindo a chuva houve fruto em abundância. O segredo está na oração em todos os momentos da nossa vida, mesmo naqueles que passamos dificuldades. Não esqueçamos, não precisamos de ser super crentes para dobrar os nossos joelhos e ultrapassar as crises com chuvas vindas de Deus para satisfazer, física e espiritualmente, as nossas necessidades.</p>
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		<title>VIVENDO EM HARMONIA</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Aug 2010 19:18:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[ 
&#8220;8) Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes, 9) não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; porque para isso fostes chamados, para herdardes uma bênção.&#8221; (1 Pedro 3:8-9)
O Artur chega ao café, com um ar furibundo e diz para o seu amigo: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p><span style="font-size: small;">&#8220;<strong>8</strong>) <em>Finalmente, sede todos de um mesmo sentimento, compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos, humildes</em>, <strong>9</strong>) </span><span style="font-size: small;"><em>não retribuindo mal por mal, ou injúria por injúria; antes, pelo contrário, bendizendo; porque para isso fostes chamados, para herdardes uma bênção</em>.&#8221; </span><span style="font-size: small;">(1 Pedro 3:8-9)</span></p>
<p>O Artur chega ao café, com um ar furibundo e diz para o seu amigo: &#8211; Hoje, eu e a minha mulher tivemos uma discussão terrível acerca do conceito de eubiótica. &#8211; E o que é isso? – perguntou o amigo. &#8211; É a arte de estarmos em harmonia com tudo o que nos cerca.</p>
<p>Tem ar de ser anedota, mas esta é a realidade de muitos contextos sociais. Ao quererem estabelecer a harmonia, as pessoas passam mais tempo a discuti-la do que a praticá-la. Todos nós sabemos que a harmonia é um conceito clássico relacionado com as ideias de beleza, proporção e ordem. Geralmente fala-se a de harmonia mais no campo da música. Mas ela é precisa em todas as áreas da nossa vida.</p>
<p>Na mitologia grega, Harmonia foi a mulher de Cadmo, o herói fundador da cidade de Tebas. Mas para fundar esta cidade, ele teve de matar um dragão, que tinha a forma de uma grande serpente. Como alguns deuses não gostaram daquilo que ele fez, foram-lhe criando problemas atrás de problemas. O primeiro surgiu por intermédio da deusa Atena que lhe deu o conselho para ele semear naquela terra os dentes do dragão. Ele fez isso, mas o resultado foi o surgimento de muitos homens armados e furiosos para o matarem. Com uma pedra que atirou para o meio deles, Cadmo conseguiu que eles lutassem entre si até que foram morrendo um a um, ficando apenas cinco. A estes, Cadmo conseguiu convencer a fundarem a cidade de Tebas. Entretanto, tudo trabalhado pelos deuses, Cadmo encontra a mulher dos seus sonhos, chamada Harmonia, e casa com ela. No casamento estiveram todos os deuses. Entre eles estavam Atena e Hefesto que combinaram oferecer um colar como presente de casamento à noiva. Mas este colar só trouxe infortúnio na vida de Cadmo e Harmonia. Como diz Edith Hamilton: “Tiveram quatro filhas e um filho e, através deles, tomaram consciência de que o vento do favor dos deuses nunca sopra na mesma direcção durante muito tempo”. Também a cidade viveu momentos de inquietação civil, a ponto de Cadmo ter de abdicar do trono. Com tanta desgraça, Cadmo apercebeu-se que os deuses estavam zangados com ele por ter matado o dragão. Então pediu aos deuses que o transformassem em serpente. Imediatamente começaram a crescer-lhe escamas e o seu corpo a ser transformado. Harmonia, ao ver a transformação do seu marido, também pediu aos deuses que a transformassem para partilhar o mesmo destino. Apesar das dificuldades, Harmonia e Cadmo viveram em harmonia um com o outro.</p>
<p>De acordo com a primeira epístola de Pedro, os crentes daquela época também estavam a passar por sérias dificuldades, as quais provocavam neles sentimentos de discórdia quanto ao procedimento a ter naquelas circunstâncias. Quando uma pessoa é maltratada, injuriada, desrespeitada, oprimida, explorada e outras situações que atitude deve ter? Esta era certamente a preocupação dos cristãos espalhados pelo império romano. Este apóstolo de Jesus Cristo apresentou a razão da existência de um cristão e como o propósito da nossa salvação tem influência na forma como agimos (não reagimos) perante os infortúnios da vida.</p>
<p> <strong>1. Características a Ter </strong></p>
<p>            A expressão “finalmente” não é uma fórmula de conclusão ou resumo do que foi dito anteriormente, mas tem a intenção de introduzir uma nova secção. A realidade é que agora já não se dirige a um grupo específico, como fez nos versículos anteriores, mas dirige a “todos”. Ele quer apresentar uma série de princípios práticos para que os crentes vivam de forma pacífica no ambiente hostil em que se encontram, produto de uma cultura pagã e intolerante para com as novas ideias. Este versículo apresenta, então, as cinco características do crente em Jesus Cristo.</p>
<p>            A primeira característica, embora tenha sido traduzida por “o mesmo sentimento”, fala em ter a mesma forma de pensar. A palavra é composta por <em>homo</em>, que significa “o mesmo” e por <em>phrones</em>, de onde deriva a palavra portuguesa “fronema”, que significa “forma de pensar; espírito, inteligência; o pensamento”. Por isso, o autor não está a falar nos sentimentos, mas sim no pensamento que deve ser comum. Este pensamento só pode estar relacionado com o propósito supremo de Deus. Quando todas as pessoas estão sintonizadas neste pensamento, então há harmonia.</p>
<p>            A segunda característica é “ser compassivos”. Também esta palavra é composta pela preposição <em>sum</em>, que significa “com” e pela palavra <em>pathês</em>, cuja raiz está associada à palavra que significa “sofrimento”. O termo grego também poderia ser traduzido por “<em>simpatético</em>”. É desta raiz que deriva a palavra portuguesa “simpatia”, a qual é definida, em termos médicos, como sendo a acção exercida pela lesão de um órgão sobre outro. Ser “simpatético” é deixar que o sofrimento do outro nos influencie; é sermos capazes de sofrer com o outro. Quando se tem uma característica destas, haverá certamente uma perfeita harmonia entre as pessoas.</p>
<p>            A terceira característica é “amando os irmãos”. A palavra grega correspondente é <em>filadelphos</em>, palavra composta por dois termos, também. O primeiro termo vem de <em>phílos</em>¸ que significa &#8220;amigo&#8221;, e o segundo é <em>adelphós</em>, que significa “irmão”. A palavra realmente aponta para o amor entre irmãos. Uma palavra portuguesa que transmite um conceito semelhante é o termo “fraterno”. De acordo com a palavra de Deus, “a todos quantos receberam [Jesus], deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus aos que crêem no seu nome” (João 1:12). Os cristãos são irmãos uns dos outros porque receberem Jesus no seu coração. Agora fazem parte da família de Deus e, como tal, devem mostrar a verdadeira fraternidade ao mundo.</p>
<p>            A quarta característica é “entranhavelmente misericordiosos”. Esta expressão traduz o termo grego <em>eusplanchnoi</em>. A palavra também é composta por <em>eu</em>, que significa “bom”, e por <em>splanchnoi</em>, que significa “intestinos”. Literalmente o significado é “com intestinos bons”. Com este termo, o autor está a querer dizer que a identificação com os outros é de tal forma íntima que até é capaz de sentir o seu interior a mexer. Esta palavra fala de uma característica que mexe com o mais íntimo do seu ser.</p>
<p>            A quinta característica é “afáveis”, que corresponde ao termo grego <em>tapeinóphrones</em>.  Provavelmente também temos a junção de duas palavras, sendo a primeira relacionada com <em>tapeinós</em>, que significa “de baixa posição”, e a segundo deve ser da mesma raiz de <em>phronéô</em>, que significa “pensar”. Por outras palavras, o escritor sagrado quer dizer que os crentes devem sempre pensar por baixo, nunca tendo a presunção de serem mais do que os outros.</p>
<p> <strong>2. Atitudes a Evitar</strong></p>
<p>            Uma prática muito comum naquela época era a lei de talião: “olho por olho, dente por dente, vida por vida”. As pessoas estavam habituadas a responder com a mesma moeda. “O que me fazes, assim receberás”. Poderemos dar vários significados ao termo grego, no original. A ideia concreta é que não se deve retribuir, dar de volta aquilo que recebemos. Por três vezes este verbo é usado na expressão de uma regra áurea da conduta cristã: não se deve pagar o mal com o mal, mas com o bem (1 Tes. 5:15; Rom. 12:17 e 1 Ped. 3:9).  No Antigo Testamento não há um ensino como este. Um texto que se aproxima é: “Não digas: Vingar-me-ei do mal; espera pelo Senhor, e ele te livrará” (Prov. 20:22). Mas Jesus lançou o maior desafio alguma vez colocado ao ser humano: “Amarás ao teu inimigo”.</p>
<p>            A segunda atitude a evitar tem a ver com a injúria. A reacção habitual do ser humano é também insultar quando se sente insultado. Muitos palavrões são usados até para insultar quem já não é vivo ou quem não é chamado para a discussão. Isto é o resultado de quem não tem Cristo no seu coração. Mas aquele que tem Jesus Cristo como seu Senhor tem uma atitude diferente. Ele não usa os mesmos termos do seu insultador, ofensor, pois traz na sua boca palavras de bênção, palavras que “falam bem” (<em>eulogéô</em>), palavras que desejam o melhor para aquele que fez tudo para provocar o seu estado de espírito.</p>
<p> <strong>3. Propósito de Vida</strong></p>
<p>            O escritor usa o verbo no Aoristo para demonstra que os seus leitores tinham sido chamados de uma vez por todas para a salvação. O verbo “chamar” no texto bíblico apresenta o maior dos desafios lançados ao ser humano, mas ao mesmo tempo implica que houve uma resposta da parte do ser humano à chamada de Deus. Ele chamou-nos do mundo das trevas para a sua maravilhosa luz. Ele convoca as pessoas para que saiam da influência do mundo e sejam influenciados pelas características do Reino de Deus.</p>
<p>            A finalidade é descrita apenas com um verbo e um substantivo. Para herdardes a bênção. À partida esta palavra tem o significado de “falar bem”, referindo-se ao seu apelo estético, a apresentação atractiva daquilo que alguém está a dizer. Esta era uma palavra usada pelos escritores gregos, principalmente os criadores das peças trágicas. O contraste da maldição que caía sobre as personagens era a maravilhosa <em>eulogia</em>. Apesar da tragédia, há sempre uma “bênção”.</p>
<p> <strong>Conclusão</strong></p>
<p>            Em 23 de Outubro  de 2007, a Estação Espacial Internacional recebeu um módulo para aumentar a sua capacidade de espaço e funcionalidade. Os cientistas deram-lhe o nome de Nodo 2. Num concurso que lançaram para as escolas, as crianças foram desafiadas a darem um nome a este módulo. Teriam de conhecer a estação espacial, desenhar um modelo à escala e escrever um texto a explicar o nome proposto para o módulo. Um dos administradores da NASA disse: “Este módulo vai permitir que todas as peças dos parceiros internacionais estejam em ligação, por isso é realmente extraordinário que as crianças reconhecem que é necessário que haja harmonia para a cooperação no espaço”. Exactamente, o módulo passou a chamar-se Harmonia. Deseja-se que haja harmonia entre os povos, mas não se consegue promovê-la com eficácia.</p>
<p>            Não foi por acaso que Jesus disse que se não nos tornássemos como crianças de modo nenhum entraríamos no reino de Deus (Mat. 18:3). E Pedro aconselha nesta epístola a que se deseje o leite racional, como meninos recém-nascidos, para crescermos (1 Ped. 2:2). As crianças sentem quão importante é que vivamos em harmonia. Acabemos com a desarmonia na nossa vida, na nossa família, no nosso trabalho e nas relações sociais, aceitando a chamada de Cristo para a salvação e perspectivando sempre a herança da bênção, que é o oposto da tragédia.</p>
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		<title>NÃO SE AFASTEM DA GRAÇA DE DEUS</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jul 2010 23:30:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[Hebreus 12:12-17
A famosa e mítica volta à França já terminou. Um dos aspectos importantes nesta corrida é o espírito de grupo e união nas subidas da montanha. De uma forma geral o corredor que vai à frente está a puxar por todo o pelotão. Quando ele começa a impor um certo ritmo, precisa de ajuda dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hebreus 12:12-17</p>
<p>A famosa e mítica volta à França já terminou. Um dos aspectos importantes nesta corrida é o espírito de grupo e união nas subidas da montanha. De uma forma geral o corredor que vai à frente está a puxar por todo o pelotão. Quando ele começa a impor um certo ritmo, precisa de ajuda dos seus companheiros que alternadamente vão passando para a frente. Se os ciclistas que vão mais atrás, por alguma razão, descolarem do pelotão, dificilmente conseguirão juntar-se ao grupo. Aí, vão precisar de gastar mais energias para chegarem ao final da etapa. O sofrimento é enorme, quando poderiam vir a desfrutar de um pedalar mais suave se se mantivessem bem juntinhos ao pelotão.</p>
<p>O autor da epístola aos Hebreus, no versículo 15, também previa uma situação de perigo para os cristãos naquela altura. Por isso, incentivou-os a estarem vigilantes, a terem cuidado, para que não se desse o caso de ficarem privados da graça de Deus. O verbo que ele usa também pode ser traduzido por “ficar para trás”. Depois de uma pessoa receber o dom da salvação que Deus concedeu a cada um que crê em Jesus, ela passa a fazer parte da equipa que corre a carreira que lhe está proposta, como lemos em 12:1. Certamente há coisas que nos embaraçam, que nos incomodam, que se tornam autênticos empecilhos na nossa trajectória, mas por isso mesmo é que é necessário estar atentos. O termo em grego para o verbo “ter cuidado” deu origem a várias palavras tais como: episcopado, episcopal e, interessantemente, a palavra “episcópio”, que é uma lanterna de projecção de imagens com suas cores naturais, sobre um quadro branco. Esta é uma palavra composta que tem como raiz o termo “escopo”, e esta palavra significa “alvo, objectivo, propósito, intento”. Por outras palavras, o escritor sagrado está a dizer que os crentes devem olhar sempre para o seu alvo, de forma a acompanhar a tão grande nuvem de testemunhas que deram a sua vida por Cristo e a não ficarem para trás. Nesta corrida cristã, não funciona a filosofia de “o que importa é chegar ao fim, nem que seja daqui a umas quantas horas”. O propósito de Deus é que nenhum de nós descole do grupo que tem como base e alvo a graça de Deus. Deus não quer que ninguém fique para trás, correndo o risco de ser tarde demais. Tucídides escreveu a história da guerra do Peloponeso que ocorreu no séc. V a.C. e conta o que se passou com Mitilene, capital da ilha de Lesbos. A princípio, Lesbos tinha-se aliado à Liga de Delos, liderada por Atenas, contra a Liga de Peloponeso, liderada por Esparta. A certa altura, Lesbos quis deixar a Liga de Delos, mas a cidade de Atenas não gostou da atitude do Povo de Lesbos e declarou-lhe guerra. Os governantes de Lesbos foram pedir ajuda a outros reis de outras cidades, mas quando estas chegaram já era tarde de mais.</p>
<p>O tema da Epístola aos Hebreus aponta para a urgência do hoje, para que não se deixe ficar para amanhã o que se deve fazer hoje. “Se hoje, ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (3:7-8, 15). Para não nos afastarmos da graça de Deus ou para não ficarmos para trás, precisamos de tomar três atitudes fundamentais, agora.</p>
<p><strong>1. Buscar a Cura</strong></p>
<p>            O conjunto dos versículos 12-13 termina com a expressão “seja sarado”. O verbo “curar” ou “sarar” neste texto é usado no sentido ético, moral e espiritual. O versículo 12 aponta para uma pessoa que está desanimada, já baixou as mãos e não tem vontade para fazer o que quer que seja. Ao mesmo tempo tem os seus joelhos desconjuntados, sinónimo de uma pessoa que se encontra incapaz de se manter em pé. Parece que os ligamentos estão fora do lugar e não obedecem às ordens do cérebro. Os pés também estão incapazes de andar pelos caminhos se estes não estiverem direitos. Todo este estado doentio faz com que uma pessoa saia do seu percurso, se desvie do seu objectivo.</p>
<p>            É evidente que o autor está a falar da vida moral e espiritual das pessoas. Ele sabe que muitas pessoas já desistiram de viver, acham que já não têm forças para lutar, Os seus joelhos fraquejam e o caminho da vida apresenta-se cada vez mais tortuoso. Então, o que é preciso fazer? A palavra “levantar” significa literalmente “endireitar para cima” tanto as mãos como os joelhos. Primeiro temos de cuidar de nós. Isto significa que sem Deus nada conseguimos fazer e o levantar ou esticar as mãos para cima significa que reconhecemos que é do alto que vem a restauração plena para a nossa vida. Em segundo lugar é preciso saber que caminho estamos a traçar. Ele precisa de ser um caminho direito. A palavra para “veredas” significa literalmente “a curva de uma roda”. Ora, para pessoas que são coxas ou paralíticas, um caminho que se apresenta curvo vai fazer com que elas saiam para a valeta.</p>
<p><strong>2. Buscar a Visão</strong></p>
<p>            O versículo 14 mostra-nos que há necessidade de vermos a Deus. Mas para que isso aconteça é preciso seguir em direcção a duas coisas: a paz e a santificação. O verbo grego <em>oráô</em> aponta para uma visão que vai muito para além da visão física. Este verbo contrasta com o verbo <em>blépô</em> que normalmente é usado para a visão física. Ver a Deus, aqui, implica utilizar os olhos da fé e contemplar Deus que nos concede duas características fundamentais.</p>
<p>            É preciso notar que o texto não nos está a incentivar a estar em paz com toda a gente. O verbo “seguir” transmite a ideia de ir à caça de algo fundamental para a nossa vida, juntamente com todos aqueles que também precisam.</p>
<p>            A falta de paz contrasta com a raiz de amargura que brota dentro de nós a ponto de nos perturbar. Nós sabemos que a amargura que deixarmos desenvolver dentro de nós leva-nos à animosidade, e esta à ira e por fim ao endurecimento do nosso espírito.</p>
<p>            Quando Filipe pregava o evangelho em Samaria, havia lá um homem chamado Simão e que era conhecido na cidade por “a grande virtude de Deus”. Ele também quis receber o dom do Espírito Santo, quando viu os sinais e as maravilhas que se faziam, estando disposto a pagar o que fosse necessário. Então “Pedro disse-lhe: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra porque o teu coração não é recto diante de Deus. ARREPENDE-TE, pois dessa tua iniquidade e ora a Deus, para que, porventura, te seja perdoado o pensamento do teu coração, pois vejo que estás em fel de amargura e em laço de iniquidade” (Act. 8:20-23).</p>
<p>            A falta de santificação contrasta com a contaminação. A palavra usada aqui tem a ver com as manchas, nódoas que ficam e dificilmente se tiram.</p>
<p>O desejar intensamente a paz e a santificação mantém-nos ligados à graça de Deus. Mas se ficamos para trás em relação à graça de Deus corremos o risco de sermos conspurcados pelo pecado.</p>
<p><strong>3. Buscar a Bênção</strong></p>
<p>            O versículo 17 fala-nos do “herdar a bênção”. No seu significado primário a palavra grega <em>eulogia</em> significa “louvor” e é daqui que temos a palavra “elogio”. Mas a palavra é usada no sentido de um benefício outorgado por Deus sobre os homens. Jacó disse ao seu filho José: “o Deus de teu pai te ajudará, o Todo-poderoso te abençoará com bênçãos dos céus de cima, com bênçãos do abismo que está debaixo, com bênçãos dos peitos e da madre. As bênçãos de teu pai excederão as bênçãos de meus pais” (Gén. 49:25-26). Herdar a bênção é receber todo o benefício da salvação que Deus concedeu em Cristo Jesus. Na carta aos Efésios nós lemos: “Bendito o Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” (Ef. 1:3).</p>
<p>            Quando não buscamos a bênção de Deus corremos o risco de nos tornarmos fornicadores e profanos. A primeira palavra está relacionada com “pornografia” e a segunda com “espezinhar”. Na vida de Esaú, estas duas atitudes foram uma realidade. Por um lado, ele não quis saber dos conselhos dos pais para que não tomasse mulher pagã, que não conhecia o Deus vivo e verdadeiro que eles adoravam. Esaú deixou-se levar pelas mulheres daquela região. E a Bíblia diz que elas foram uma dor de cabeça para Isaque e Rebeca (Gén. 26:35). Ele não se contentava com uma mulher apenas e depois tomou ainda outra (Gén. 28:9). A segunda, foi quando Esaú desprezou o direito à primogenitura, vendendo-a por causa de um manjar. Por outras palavras, Esaú sempre esteve mais preocupado com a satisfação dos seus desejos físicos  do que com os valores e princípios que Deus estabelecera para o ser humano viver em perfeita harmonia. O texto bíblico diz-nos que Esáu depois quis herdar a bênção, mas foi rejeitado. Ele bem chorou, mas lágrimas de crocodilo não são suficientes é preciso verdadeiro arrependimento.</p>
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		<title>LUTAS E TEMORES</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Jul 2010 11:35:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tenho a nítida sensação de que a vida do ser humano, seja ele crédulo, incrédulo ou agnóstico, está cheia de lutas e temores. Cada dia que começa dá origem a um novo processo de obstáculos que precisam de ser ultrapassados, vencidos e destruídos. E por mais optimista que uma pessoa seja há sempre momentos em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tenho a nítida sensação de que a vida do ser humano, seja ele crédulo, incrédulo ou agnóstico, está cheia de lutas e temores. Cada dia que começa dá origem a um novo processo de obstáculos que precisam de ser ultrapassados, vencidos e destruídos. E por mais optimista que uma pessoa seja há sempre momentos em que os medos, os receios, as fobias geram em nós conflitos que nos perturbam, que nos desestruturam, que nos levam ao desespero e até a actos que são autênticas tragédias.</p>
<p>Paulo, o judeu que perseguia os cristãos, porque queria ser zeloso na sua religiosidade, e que teve uma experiência pessoal com Jesus Cristo ressurrecto a ponto de passar a ser perseguido, escreveu que quando chegou à Macedónia não teve descanso nenhum porque sofria pressão de todos os lados, que o levaram a descrever a sua experiência com as palavras seguintes: “combates por fora, temores por dentro” (2 Cor. 7:5). Ele tinha esta experiência porque entregara a sua vida completamente ao Senhor Jesus e estava disposto a tudo fazer para anunciar a mensagem de salvação a todas as pessoas e em todo o lugar. A palavra que ele usa para “combates” pode ter o sentido de combates físicos ou pode referir-se a um combate de palavras, de ideias. É possível que o termo neste caso esteja relacionado com ameaças físicas mas também com as discussões teológicas que ele enfrentava sempre que chegava a uma sinagoga e usava os textos sagrados do Antigo Testamento para apresentar Jesus Cristo como o Prometido de Deus para solucionar o problema do ser humano.</p>
<p>A realidade é que estes combates exteriores que ele enfrentava provocavam-lhe um outro tipo de combate que estava relacionado com o seu interior. O termo que ele usa deu origem à nossa palavra portuguesa “fobia”. A palavra descreve um estado de aflição severa, certamente criado por várias situações ameaçadoras. Isto mostra que Paulo, apesar de ter Cristo e viver para Cristo, também tinha experiências e sentimentos que criavam nele um estado emocional bastante dramático. As experiências exteriores mexem com o nosso interior a ponto de tirar a paz e a tranquilidade tão necessárias a um equilíbrio fundamental para todo o nosso ser. No entanto, as pessoas procuram diversos meios para apaziguar ou vencer esta realidade. Pena é que procurando esses meios não vejam que eles são efémeros e sem grande qualidade virtual, moral e espiritual. Muita gente promete poções milagrosas para acabar com os conflitos e medos, mas não passam de autênticas patranhas para enganar os mais incautos.</p>
<p>Paulo não precisou de recorrer a subterfúgios para encontrar o consolo que necessitava para a sua vida. É importante notar que ele não disse que deixou de ter as lutas e os temores. O que ele diz é: “Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito” (2 Cor. 7:6). O termo “consolar” significa literalmente “chamar para junto de”. Ele fala de um Deus que encoraja, consola os que estão abatidos chamando-os para junto de si. A presença de Deus na vida da pessoa que já perdeu a esperança porque se sente sozinho a lutar contra tudo e contra todos dá força e coragem. De uma forma pragmática ele aponta o meio que Deus utilizou para criar nele a convicção que não está sozinho – um jovem, chamado Tito, que vem ter com ele. A presença de Deus também se manifesta através de alguém que está ao nosso lado.</p>
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		<title>DIAS LONGOS OU ANOS CURTOS</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Apr 2010 10:20:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Toda a gente fica consternada quando ouve a notícia da morte de uma pessoa honesta, íntegra e de estatura moral como o ex-provedor da justiça, Nascimento Rodrigues. Não tenho quaisquer dúvidas que este homem exerceu as suas funções públicas com imparcialidade e rigor. Diz a notícia do semanário Expresso, “ele foi o «advogado do povo» [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.ecolnews.com.br/images/cigarro.jpg" alt="" width="244" height="251" />Toda a gente fica consternada quando ouve a notícia da morte de uma pessoa honesta, íntegra e de estatura moral como o ex-provedor da justiça, Nascimento Rodrigues. Não tenho quaisquer dúvidas que este homem exerceu as suas funções públicas com imparcialidade e rigor. Diz a notícia do semanário Expresso, “ele foi o «advogado do povo» que maior volume de trabalho apresentou, com mais de 8 mil queixas apreciadas por ano”. Perante estes factos, ele não merecia falecer aos 69 anos. Lamento muito que isto tenha acontecido porque tenho a ideia de que ele ainda tinha muito para dar ao país, à sociedade portuguesa. No entanto, não posso deixar de pensar que o prolongamento da sua vida também passou pelas suas mãos. Sabe-se que ele morreu devido a um enfisema pulmonar. O enfisema pulmonar é uma doença degenerativa, que geralmente se desenvolve depois de muitos anos de agressão aos tecidos do pulmão devido ao cigarro e outras toxinas no ar. Portanto, o fumar cigarros é a causa principal desta doença, apesar de se saber que também a exposição à poluição atmosférica e inalação do fumo dos cigarros no trabalho sejam factores que contribuem para o desenvolvimento desta moléstia. A maioria das imagens que tenho na minha mente de Nascimento Rodrigues apresenta-o a trabalhar afincadamente com a mão direita e na esquerda um cigarro constantemente aceso. Se ao menos ele tivesse lutado contra o vício como lutou a favor do povo, hoje, certamente ainda o teríamos connosco.</p>
<p>O ser humano peca por dar lugar e primazia aos prazeres carnais. É por pensar que é dono do seu corpo e que pode fazer o que quiser com ele que a Bíblia classifica o ser humano de ímpio. O sábio Salomão compilou um dos provérbios que diz: “O temor do Senhor aumenta os dias, mas os anos dos ímpios serão abreviados” (Provérbios 10:27). Este texto alerta-nos para duas coisas. Se queremos ver os nossos dias prolongados, precisamos de temer ao Senhor. Por outro lado, se queremos ver os nossos anos encurtados, então vivamos como ímpios. A palavra “temor” não significa “medo” nem “terror” nem “pavor” de Deus. O texto hebraico fala de reverência, respeito, dedicação. Implica a aceitação das directrizes que Deus coloca diante do ser humano para a sua vida. E aquilo que a Bíblia nos diz é que devemos ter muito cuidado com o nosso corpo, porque ele é o local onde Deus quer fazer morada, fazendo-se presente na pessoa do Espírito Santo.</p>
<p>Quando nos deixamos dominar por um vício, que sabemos destruidor da nossa vida, estamos a enveredar por um caminho ímpio. O profeta Isaías descreve o ímpio “como o mar bravo que se não pode aquietar e cujas águas lançam de si lama e lodo” (Isaías 57:20). O ímpio é aquele que não consegue estar tranquilo, calmo, em paz. Ao contrário do que as pessoas geralmente pensam, o tabaco é um estimulante e não um calmante. O fumador encontra-se num estado constante de agitação e pensa que consegue acalmar o seu estado de ansiedade através do tabaco. Os jovens actualmente acham que ter um cigarro na mão é sinal de maturidade e que já são adultos. Mas o que estão a fazer é a destruir o seu organismo e a criar todas as condições para dentro em breve terem doenças crónicas que lhe tirarão a vida. Os pais que não têm capacidade para alertar os seus filhos dos perigos do tabaco estão a cometer um grave crime, mas infelizmente a sociedade não pune tais actos, porque fazem parte dos direitos à liberdade. O ímpio (o fumador) encurta os seus anos de vida.</p>
<p>Deus deseja que tenhamos respeito pelas suas orientações, porque aquele que recebe e obedece aos mandamentos de Deus prolongará os seus dias de vida aqui na terra. Mas a questão não será só o prolongamento da vida, mas a qualidade de vida que a obediência traz ao ser humano. Temer ao Senhor é viver em plena paz e felicidade. Não queira ser dono da sua própria vida, mas deixe que Jesus Cristo se torne o seu Senhor.</p>
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		<title>Propósito na Vida</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Mar 2010 10:55:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Certamente não precisamos de sofrer o tipo de desaires que os haitianos, os chilenos, os madeirenses e outros viveram para fazermos a pergunta existencial que o ser humano costuma fazer: Qual é o propósito desta vida? Às vezes, pequenas desventuras são o suficiente para praguejarmos contra a vida, para amaldiçoarmos o dia do nosso nascimento, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="LINE-HEIGHT: 14.25pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 10pt">Certamente não precisamos de sofrer o tipo de desaires que os haitianos, os chilenos, os madeirenses e outros viveram para fazermos a pergunta existencial que o ser humano costuma fazer: Qual é o propósito desta vida? Às vezes, pequenas desventuras são o suficiente para praguejarmos contra a vida, para amaldiçoarmos o dia do nosso nascimento, para nos afundarmos no poço da miséria e não termos contentamento algum na vida que temos.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 14.25pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 10pt">A Bíblia conta a história de José, filho de Jacó, que era odiado pelos seus dez irmãos e foi vendido para o Egipto. Este jovem tinha todas as razões para desatinar com a vida. Depois de vendido, quando tudo parecia correr bem, foi acusado de se meter com a mulher do seu senhor e acabou na prisão. Entretanto, chegou ao posto de governador do Egipto, por ter dado bons conselhos a Faraó sobre a fome que viria passados sete anos de fartura. O que ele não estava à espera era que os seus irmãos que o maltrataram aparecessem diante dele a pedir alimentos. Eles não o conheceram, mas ele soube desde o princípio quem eles eram. Ele viveu momentos de sentimentos contraditórios entre vingar-se deles e fazer-lhes bem, e foi criando situações que demonstram a luta deste dualismo.</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 14.25pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 10pt">Em Génesis 45:1, lemos que a certa altura ele já não podia conter-se mais e deu-se a conhecer a seus irmãos. Quando ele se identificou como José e perguntou pelo seu pai, os seus irmãos não conseguiram responder-lhe devido ao espanto que se apoderou deles. Provavelmente começaram a lembrar-se das experiências antagónicas que tinham vivido, tais como serem bem tratados, receberem o dinheiro dos alimentos de volta e, por outro lado, serem acusados de roubo e terem de deixar ficar preso um dos irmãos. No seu cérebro corriam mil pensamentos, principalmente o facto de terem vendido José e terem dado a notícia ao seu pai de que uma fera o tinha devorado. Agora estavam perante ele, o governador sobre toda a terra do Egipto. O que eles não estariam certamente à espera era ouvir estas palavras de José: &#8220;Não vos entristeçais nem vos aborreçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós&#8221; (Gén. 45:5).</span></p>
<p style="LINE-HEIGHT: 14.25pt"><span style="FONT-FAMILY: 'Georgia','serif'; FONT-SIZE: 10pt">No meio de toda a adversidade, José encontrou um propósito para a sua vida e não deixou que o ódio, a raiva ou o sentimento de vingança dominassem o seu coração. Há coisas que nos acontecem que não conseguimos descortinar o seu objectivo, mas aquilo que nos parece sem nexo tem sempre uma finalidade. O interessante das palavras de José é que ele viu Deus no controlo dos acontecimentos. Nada do que lhe aconteceu foi despropositado, embora só agora visse para onde o rumo dos acontecimentos o levava. Para ele, fora Deus que o colocara naquela situação, naquele posto, para preservar vida. Também nós devemos ter esta consciência e convicção, as quais só se alcançam com uma vivência diária com Deus, em oração e leitura da Sua palavra.</span></p>
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		<title>ORAR É COMBATER</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jan 2010 11:13:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Saúda-vos Epafras, que é um de vós, servo de Cristo Jesus, e que sempre luta por vós nas suas orações, para que permaneçais perfeitos e plenamente seguros em toda a vontade de Deus” (Colossenses 4:12).
 
Nem sempre o momento de oração é uma oportunidade para relaxar, aquietar ou acalmar, principalmente quando está em causa a vida [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>“<em>Saúda-vos Epafras, que é um de vós, servo de Cristo Jesus, e que sempre luta por vós nas suas orações, para que permaneçais perfeitos e plenamente seguros em toda a vontade de Deus</em>” (Colossenses 4:12).</p>
<p> </p>
<p style="text-align: justify;">Nem sempre o momento de oração é uma oportunidade para relaxar, aquietar ou acalmar, principalmente quando está em causa a vida espiritual dos nossos irmãos e mesmo a nossa. O apóstolo Paulo falou de Epafras, provavelmente um gentio que fazia parte do grupo de crentes em Colossos, dizendo que estava a lutar, a combater pelos crentes daquela cidade. A palavra que é usada no texto deu origem à palavra portuguesa “agonizar”. No grego clássico, a palavra estava associada aos jogos públicos realizados nas arenas e, por conseguinte, às lutas travadas pelos concorrentes para preservar a vida. Portanto, a <em>agônía</em> era uma questão de vida ou morte. Ao ser usada para falar da oração, o verbo adquire uma intensidade que nós, provavelmente, nem sempre estaríamos à espera. Isto significa que é preciso olhar para a oração também como uma luta de vida ou morte.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui, recordamos a luta que Jacó teve com o varão no vau de Jaboque, porque queria que ele o abençoasse. Jacó lutou de tal forma com o varão que este viu-se obrigado a ferir a coxa do patriarca de Israel. Nesta luta com Deus, uma vez que Jacó acaba por reconhecer que tinha visto a Deus face a face, o patriarca sai ferido, mas com a bênção de Deus. Muitas vezes não estamos preparados para reconhecer que o momento de oração é agonia, é luta, é combate com Deus e que, ao sairmos da arena, saímos feridos no nosso orgulho, na nossa presunção, na nossa vaidade.</p>
<p style="text-align: justify;">No entanto, o texto transcrito acima fala-nos de uma luta a favor dos outros. Epafras estava preocupado com a situação dos crentes em Colossos. Ele era um servo (<em>doulos</em>) de Cristo que estava pronto a lutar pela vida dos seus irmãos. E a oração era a sua luta, a sua agonia. A sua preocupação era a permanência dos crentes na vontade de Deus. Provavelmente haveria o risco de os crentes daquela cidade deixarem de fazer a vontade de Deus. Podemos inferir do texto duas causas para a instabilidade dos crentes: 1. A falta de maturidade; 2. A falta de certeza. A luta de Epafras visa o desenvolvimento dos crentes no conhecimento total da vontade de Deus. Quando não conhecemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, não há amadurecimento na nossa vida espiritual nem certeza absoluta do que Deus quer para nós.</p>
<p style="text-align: justify;">A nossa permanência na vontade de Deus está relacionada com a nossa maturidade. A palavra “perfeito” não significa “atingir o estatuto de infalibilidade”, mas antes estar orientada para Deus ou Cristo, ainda que esteja em perigo de vida. Permanecer perfeito na vontade de Deus é não desviar-se do propósito supremo que Deus tem para a nossa vida. Ao mesmo tempo, a nossa permanência na vontade de Deus está relacionada com a certeza plena do que estamos a fazer. Algumas Bíblias traduzem a palavra por “consumados”, dando o sentido de “completos”. Em outros textos, porém, a palavra é traduzida por “estar plenamente convencidos” (Rom 4:21; 14:5), por se encontrar na Voz Passiva. A insegurança na nossa vida está relacionada com a falta de certeza daquilo que Deus quer para nós. E esta incerteza exige um combate agonizante de oração, de onde podemos sair feridos, mas o resultado espiritual será a firmeza.</p>
<p style="text-align: justify;">O que não podemos esquecer é que esta luta produz em nós a força para realizarmos “toda” a vontade de Deus e não somente algumas partes.</p>
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		<title>PRECISAMOS DE LUZ</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Jan 2010 14:32:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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		<description><![CDATA[
Pior do que ser cego fisicamente é ter aptidão para ver e não querer ver. Todos nós sabemos quão importante é a luz para vermos os contrastes das cores, das formas, dos altos e baixos-relevos e de toda a variedade que nos circunda. A escuridão não nos deixa ver estas coisas. Ela impede-nos de ver [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.ibalmada.org/wp-content/uploads/2010/01/sunlight1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-562" title="sunlight1" src="http://www.ibalmada.org/wp-content/uploads/2010/01/sunlight1.jpg" alt="sunlight1" width="248" height="169" /></a></p>
<p>Pior do que ser cego fisicamente é ter aptidão para ver e não querer ver. Todos nós sabemos quão importante é a luz para vermos os contrastes das cores, das formas, dos altos e baixos-relevos e de toda a variedade que nos circunda. A escuridão não nos deixa ver estas coisas. Ela impede-nos de ver a profundidade, a altura, a largura e o comprimento de qualquer objecto ainda que esteja a escassos centímetros de nós. Mas, como dizíamos acima, pior do que estarmos envolvidos na escuridão física é vivermos numa escuridão constante que castra os nossos olhos da mente, da razão ou seja do coração. A cegueira cria as condições para uma morte mais célere e, provavelmente sem nexo. Foi José Saramago que colocou na boca de uma das suas personagens, no seu livro “Ensaio sobre a Cegueira”, a frase seguinte: morrer só porque se está cego, não deve haver pior maneira de morrer”. Já o profeta Isaías, dirigindo-se a um povo decadente, escreveu: “Apalpamos as paredes como cegos; sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo, e entre os vivos somos como mortos” (Isaías 59:10). De facto, a Palavra de Deus sempre alertou para esta situação que o ser humano vive por se encontrar longe da verdadeira fonte de luz. Por isso Jesus afirmou, categoricamente, que era a luz do mundo e que quem o seguisse não andaria em trevas, mas teria a luz da vida (João 8:12). No entanto, a situação do ser humano é que ele ama antes as trevas do que a luz porque as suas obras são más (João 3:19).</p>
<p>Estando conscientes desta realidade, precisamos de fazer como o apóstolo Paulo que não cessava de orar pelos crentes em Éfeso para que, à medida que iam conhecendo plenamente Cristo, fossem cheios do espírito de sabedoria e de revelação. Nós precisamos de muita sabedoria para vivermos num mundo com estas características depravadas; precisamos da revelação de Deus para nos orientarmos neste mundo caótico. A oração, porém, produz um outro efeito em nós que é a iluminação dos olhos do nosso coração. Paulo continuou a escrever o seguinte: “<em>sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos, e qual a suprema grandeza do seu poder, para connosco os que cremos</em>” (Efésios 1:18-19).</p>
<p>De acordo com o pensamento de Paulo há três coisas que o ser humano precisa de saber: qual a esperança da vocação, qual a riqueza da herança e qual a grandeza do poder. O que não podemos esquecer é que entre a preposição “de” e o segundo substantivo existe o pronome “seu” ou “sua”, o qual está em vez do nome Deus. Portanto, a vocação, a herança e o poder são de ou têm a sua origem em Deus. Para que saibamos o objecto de cada acção de Deus necessitamos de ter os olhos do coração iluminados. Paulo fala de um saber empírico, devido à palavra grega que ele usa no seu texto. Ele está a falar do saber que se adquire pela experiência, resultado daquilo que vivemos no nosso dia-a-dia, mas que, entretanto, devemos reconhecer que é produto da acção de Deus.</p>
<p>Ele começa por falar na esperança que é produto da chamada (vocação) de Deus. Para entendermos isto falemos um pouco da esperança que tem o desempregado quando é chamado para uma entrevista, ou da esperança que tem o doente que se encontra numa lista de espera quando é chamado para uma consulta. Deus também nos chama, nos convoca para a comunhão com Ele, pois estávamos ou estamos alienados da sua presença por causa da nossa rebeldia, do nosso egocentrismo, da nossa presunção e concupiscência. Vivemos cansados e desesperados desta vida, até que a esperança renasce em nós quando ouvimos a chamada de Deus: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28).</p>
<p>Em seguida, Paulo fala da riqueza da glória da herança que Deus tem preparado para nós. No nosso dia-a-dia ouvimos muitas pessoas dizerem que são pobres porque os seus pais nunca lhes deixaram herança. As pessoas sentem-se miseráveis porque não lhes saiu o euromilhões ou a lotaria. Quando falam em riquezas, elas só pensam no seu pecúlio. Mas já ouvimos falar que pessoas que receberam fabulosas heranças desgraçaram a sua vida para sempre. A riqueza pecuniária não é sinónima de herança satisfatória. Deus promete-nos uma herança gloriosa. A glória que Deus nos outorga não se compara à fama nem ao sucesso adquirido aqui na terra. Os bens da terra não são colocados num camião para seguir atrás de um cortejo fúnebre. As pessoas até podem gastar o seu dinheiro numa cerimónia luxuosa, com um caixão que custou uma fortuna, mas tudo isso se desfará em pó quando enterrado no cemitério. Deus preparou-nos uma herança que será para toda a eternidade.</p>
<p>Por fim, o apóstolo fala da grandeza do poder de Deus. A palavra “grandeza” poderá ser interpretada figurativamente por “potência” ou “capacidade”. À medida que vamos envelhecendo reconhecemos que nos faltam as forças, vamos perdendo capacidade e aptidão para a realização de determinadas tarefas que seriam tão banais uns anos antes. Enquanto uns continuam a confiar nas suas potencialidades, outros sentem-se exangues, cansados de remar contra a maré. Mas o crente experimenta na sua vida a potência do poder de Deus. A palavra usada, em grego, para “poder” é <em>dunamis</em>, de onde se originou a palavra “dinamite”. Nos dias que correm, poderemos falar da fusão nuclear, que liberta luz, calor e radiação, ou da fissão nuclear, que feita bruscamente cria a bomba atómica, para dizer que o poder de Deus é muito superior a isso. Os crentes têm o poder de Deus que os potencia para a realização de obras extraordinárias, ainda que a vida lhes surja injusta e madrasta.</p>
<p>A oração é fundamental para que tenhamos um conhecimento vivencial dos benefícios que Deus tem para nós em termos de esperança, riqueza e potencialidade. Quanto mais orarmos, mais reais se tornarão para nós todas estas experiências. Os nossos olhos do coração ou do entendimento receberão a luz necessária para as reconhecermos.</p>
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		<title>ESPERANÇA PLENA</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jan 2010 12:31:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cada vez que iniciamos um novo ano, voltamos a renovar as nossas esperanças esperando que este ano seja melhor do que o ano anterior a todos os níveis da vida, na saúde, no trabalho, na família e até no lazer. Mas a crise mundial, provocada por um pequeno grupo de gananciosos que não estão satisfeitos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cada vez que iniciamos um novo ano, voltamos a renovar as nossas esperanças esperando que este ano seja melhor do que o ano anterior a todos os níveis da vida, na saúde, no trabalho, na família e até no lazer. Mas a crise mundial, provocada por um pequeno grupo de gananciosos que não estão satisfeitos com os lucros que obtiveram, tem sido a causadora de todas as angústias e desesperos do ser humano. Desespero esse que Sören Kierkegaard designa como “doença mortal”, porque pelos seus próprios meios não consegue libertar-se dele. No fundo, o desespero existe porque todos nós ansiamos algo, e quando não atingimos esse propósito entramos em desespero, a esperança desaparece em nós e ansiamos a morte.</p>
<p>Mas do cristão espera-se coisas melhores que acompanham a salvação que adquiriu pela fé no Senhor Jesus Cristo. O autor da epístola aos Hebreus no capítulo 6 e versículos 11 e 12 escreveu: “<em><strong>E desejamos que cada um de vós mostre o mesmo zelo até o fim, para completa certeza da esperança; para que não vos torneis indolentes, mas sejais imitadores dos que pela fé e paciência herdam as promessas</strong></em>”.</p>
<p>O desespero deixa de actuar em nós quando não somos nós a estabelecer os alvos, mas aceitamos os objectivos de Deus para a nossa vida. Estes objectivos estão exarados em termos de promessas que Deus fez com o Seu povo, e, até à data, aqueles que depositaram a sua confiança nas promessas de Deus verificaram que Ele nunca falhou. Essas promessas são de variada ordem ou espécie, por isso, não podemos viver angustiados com o que quer que seja, desde as nossas necessidades físicas até às espirituais e emocionais e psíquicas e sociais. Quando a nossa esperança está definida na eternidade, em consonância com o Autor das promessas, o desespero termina.</p>
<p>No entanto, há três coisas que o escritor de Hebreus quer que o cristão faça. A primeira é que mostre zelo até o fim. A palavra “zelo” significa “diligência, solicitude, cuidado, interesse, desvelo, dedicação” entre outros sinónimos. O zelo é caracterizado também pela agilidade e rapidez com que se faz as coisas. Neste contexto, o autor está a falar da demonstração do amor pelo nome do Senhor e do serviço para com os outros crentes. Afinal, o amor que temos a Cristo demonstra-se no serviço, no diaconato realizado aos santos na fé. Este tipo de vivência tem de ser levado até o fim. É assim que vivemos a esperança plena. No nosso dia-a-dia, não pode deixar de haver este propósito, por muito que a crise nos afecte. Ela deixará de ter qualquer efeito sobre nós, quando estivermos empenhados em amar a Jesus e servir o nosso próximo.</p>
<p>A segunda característica do cristão que vive em esperança plena é não ser indolente. Esta palavra tem como sinónimos os termos “apático, ocioso, inerte, insensível, preguiçoso”. Na perspectiva do escritor de Hebreus, o cristão é alguém que está sempre em movimento para o futuro. Direccionado para a eternidade que se alcança em Cristo, o cristão não se pode dar ao luxo de se deitar à sombra da bananeira. O seu trabalho é a evidência de que ama a Jesus Cristo e as pessoas à sua volta. O cristão é um trabalhador activo, participativo, interessado, não só nas coisas de Deus, mas também no seu labor terreno. Mas ele trabalha em função do propósito divino e não na base dos seus planos. Os objectivos que ele alcança aqui na terra tem uma dimensão muito mais profunda do que a mera satisfação do seu eu. A pessoa desespera porque não consegue atingir os seus objectivos, e, quando os alcança, mesmo assim não fica satisfeito a ponto de planear novos objectivos. Isto não acontece com o cristão que, sabendo qual é o seu destino – a eternidade, envolve-se com paixão naquilo que faz, pois sabe que está a engrandecer o nome do seu Senhor e a ajudar aqueles que estão à sua volta, para que eles reconheçam que Jesus Cristo é o único Senhor que merece ser servido.</p>
<p>A terceira característica do cristão é a imitação dos exemplos dignos de serem imitados. O cristão não imita aqueles que são movidos pela ambição e ganância, mas sim aqueles que são incentivados a herdar as promessas de Deus. Quando Jesus disse “Buscai primeiro o reino de Deus e a sua justiça”, terminou dizendo que “todas as outras coisas vos serão acrescentadas”. Com estas palavras, ele estava a dizer que jamais viveremos o desespero quando os nossos olhos estão colocados no alvo da eternidade. Esta promessa de Deus é alcançada quando imitamos aqueles que foram fiéis e pacientes no seu dia-a-dia. A palavra “fé”, no texto supra citado, tem como raiz o termo que define “fidelidade”. Toda a nossa vivência tem a ver com fidelidade, pois aquilo que o ser humano mais teme é ser objecto de infidelidade. Ninguém suporta que lhe sejam infiéis, mas ninguém não olha a meios, recorrendo-se da própria infidelidade, para atingir os seus fins. O cristão pauta-se pela fidelidade a Cristo, sabendo que Ele é o seu Senhor. Quem é fiel ao Senhor, também é fiel no seu viver diário. Por outro lado, vale a pena imitar aqueles que são pacientes. Em grego, a palavra para “paciência” (<em>makrothumia</em>) é composta por duas palavra que poderíamos interpretar como “um grande princípio da vontade, da inteligência, dos sentimentos e das paixões”. Ser paciente significa viver por muito tempo o princípio fundamental da nossa existência – a esperança plena.</p>
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		<title>AMOR EM TEMPO DE NATAL</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Dec 2009 11:15:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“O Senhor, porém, vos faça crescer e transbordar em amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” (1 Tessalonicenses 3:12)

Nesta altura do ano, é muito comum ouvirmos as tradicionais, e muitas vezes ocas, frases de “Feliz Natal” e “Boas Festas”. Enfeitam-se as casas com coroas de natal, azevinho e presépios; iluminam-se as ruas com lâmpadas multicores; ornamentam-se as árvores com bolas e fitas reluzentes; enchem-se as mesas com toda a espécie de iguarias de norte a sul; no entanto, não se vive a essência do Natal. Nas frases supra citadas apenas reina o espírito dionisíaco em contraste com o espírito cristão. O espírito dionisíaco é caracterizado pela folia, pela festa, pelo hedonismo, correndo e jorrando a bebida preferida de Baco. O espírito cristão é caracterizado pela tranquilidade, humildade e singeleza de um presépio, onde reina fundamentalmente o amor.

O nosso desejo é que em mais um Natal reinasse o verdadeiro amor de Deus. Mas para isso é necessário ter em conta três factores fundamentais na criação e desenvolvimento do amor no mundo. O primeiro factor é o reconhecimento de que o amor só existe e se desenvolve pela acção do Senhor. No versículo referido acima, Paulo expressa um desejo, uma oração, que ele quer ver entre os cristãos. Ele diz: “O Senhor vos faça crescer e transbordar …”. A sua convicção é que o Senhor Jesus é que tem o poder para fazer crescer e transbordar cada pessoa em amor. É o Senhor do Natal que tem o condão de instilar em nosso coração o verdadeiro amor. Portanto, o amor não é um capricho humano nem surge por vontade humana, mas é um sentimento provocado por Deus. Só quem deixa o Senhor fazer isto na sua vida é que terá o dom de amar os outros.

O segundo factor, apresentado neste versículo, é a consciência de que o amor deve ser praticado na mutualidade e para com todos. Muitas vezes, se não sempre, o amor é praticado nesta altura entre as pessoas que se gostam, com o objectivo de troca num “toma lá e dá cá”. Quantas vezes não ouviram os comentários: “Eu dei isto e aquilo a fulano e sicrano e nem um porta-chaves me ofereceram”? “Tenho dado a fulana e a sicrano um presente todos os anos, mas este ano não vou dar nada, porque eles nunca me deram nada”. Enfim. É este o espírito reinante com características dionisíacas. O amor que Deus instaura em nossos corações não faz acepção de pessoas. O nascimento de Jesus trouxe uma boa nova que seria para todo o povo. Não se destinava apenas aos amiguinhos nem aos ricos nem aos de estatuto social, era também para os pobres, para os ignorantes, para os marginalizados. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<p><img src="http://www.acores.net/images/noticias/2_240_30216_presepio.jpg" alt="" /></p>
<p>“<em>O Senhor, porém, vos faça crescer e transbordar em amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco</em>” (1 Tessalonicenses 3:12)</p>
<p>Nesta altura do ano, é muito comum ouvirmos as tradicionais, e muitas vezes ocas, frases de “Feliz Natal” e “Boas Festas”. Enfeitam-se as casas com coroas de natal, azevinho e presépios; iluminam-se as ruas com lâmpadas multicores; ornamentam-se as árvores com bolas e fitas reluzentes; enchem-se as mesas com toda a espécie de iguarias de norte a sul; no entanto, não se vive a essência do Natal. Nas frases supra citadas apenas reina o espírito dionisíaco em contraste com o espírito cristão. O espírito dionisíaco é caracterizado pela folia, pela festa, pelo hedonismo, correndo e jorrando a bebida preferida de Baco. O espírito cristão é caracterizado pela tranquilidade, humildade e singeleza de um presépio, onde reina fundamentalmente o amor.</p>
<p>O nosso desejo é que em mais um Natal reinasse o verdadeiro amor de Deus. Mas para isso é necessário ter em conta três factores fundamentais na criação e desenvolvimento do amor no mundo. O primeiro factor é o reconhecimento de que o amor só existe e se desenvolve pela acção do Senhor. No versículo referido acima, Paulo expressa um desejo, uma oração, que ele quer ver entre os cristãos. Ele diz: “O Senhor vos faça crescer e transbordar …”. A sua convicção é que o Senhor Jesus é que tem o poder para fazer crescer e transbordar cada pessoa em amor. É o Senhor do Natal que tem o condão de instilar em nosso coração o verdadeiro amor. Portanto, o amor não é um capricho humano nem surge por vontade humana, mas é um sentimento provocado por Deus. Só quem deixa o Senhor fazer isto na sua vida é que terá o dom de amar os outros.</p>
<p>O segundo factor, apresentado neste versículo, é a consciência de que o amor deve ser praticado na mutualidade e para com todos. Muitas vezes, se não sempre, o amor é praticado nesta altura entre as pessoas que se gostam, com o objectivo de troca num “toma lá e dá cá”. Quantas vezes não ouviram os comentários: “Eu dei isto e aquilo a fulano e sicrano e nem um porta-chaves me ofereceram”? “Tenho dado a fulana e a sicrano um presente todos os anos, mas este ano não vou dar nada, porque eles nunca me deram nada”. Enfim. É este o espírito reinante com características dionisíacas. O amor que Deus instaura em nossos corações não faz acepção de pessoas. O nascimento de Jesus trouxe uma boa nova que seria para todo o povo. Não se destinava apenas aos amiguinhos nem aos ricos nem aos de estatuto social, era também para os pobres, para os ignorantes, para os marginalizados.</p>
<p>O terceiro factor é o reconhecimento de que tudo começa em mim. Paulo não dava sermões para que os outros praticassem o que ele dizia, mas estava desejoso de que tudo começasse sempre com ele. Ele também orava para o Senhor fizesse crescer nele e fizesse transbordar nele o amor para com todas as pessoas a quem escrevia a carta. Certamente havia alguns naquela comunidade de Tessalónica que tinham falado contra o ministério de Paulo, mas ele quer experimentar e viver o espírito de Cristo.</p>
<p>Quão maravilhoso seria se em tempo de Natal deixássemos que o Senhor trabalhasse na nossa vida fazendo-nos crescer e transbordar em amor uns para com os outros, sem reservas, sem ressentimentos. Quão bom seria se, acima de tudo, pudéssemos dizer uns aos outros “Eu te amo com o amor do Senhor”, porque o “nosso amor” é falível, sectário, temporal, tendencioso e imperfeito. O amor de Deus é eterno, permanente, perfeito e universal.</p>
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		<title>O MUNDO É DOS SOBERBOS</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Nov 2009 12:08:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nada do que ouvimos e vemos acontecer nos nossos dias é novo debaixo do sol. Não é de espantar que pessoas “importantes”, com responsabilidades governativas e sociais, se tenham aproveitado das suas posições para melhorarem o seu nível de vida e parecerem ainda mais “importantes” aos olhos dos pobres e indigentes. A maioria das pessoas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nada do que ouvimos e vemos acontecer nos nossos dias é novo debaixo do sol. Não é de espantar que pessoas “importantes”, com responsabilidades governativas e sociais, se tenham aproveitado das suas posições para melhorarem o seu nível de vida e parecerem ainda mais “importantes” aos olhos dos pobres e indigentes. A maioria das pessoas só pensa em si e utiliza todos os meios, sejam quais forem, para atingir os seus fins. A ideia de que “quem trabalha consegue” não corresponde à realidade. Para se conseguir ter avultadas quantias de dinheiro é preciso maquinar uma série de falcatruas e malabarismos; é preciso não pensar nas necessidades dos desafortunados (falo fundamentalmente dos que foram vítimas); é preciso prejudicar o genuíno conceito de família; é precisa acabar com a saúde, e muitas outras coisas. Muitas pessoas só pensam no seu umbigo. Quando olhamos para essas pessoas, parece-nos que tudo lhes corre bem. À custa de erário público e da escravidão dos pobres trabalhadores as pessoas “importantes” vão arrecadando e ampliando os seus celeiros com casas fabulosas, carros de luxo, refeições lautas, iates sumptuosos, viagens exorbitantes, lazeres desmedidos, em suma: vidas opíparas.</p>
<p>O profeta Malaquias, contemporâneo de Esdras e Neemias, que proclamou a mensagem de Iavé no período depois do cativeiro da Babilónia, retratou a sociedade judaica como sendo a dos oportunistas e soberbos. Naquela altura, segundo o que escreveu o profeta as pessoas diziam: “É inútil servir a Deus. Que aproveitámos nós em ter cumprido os seus preceitos e em fazer penitência em honra do SENHOR todo-poderoso? Temos visto que os arrogantes são felizes e que os que praticam o mal prosperam. Põem Deus à prova e não recebem castigo!” (Malaquias 3:14-15 – <em>A Bíblia para Todos</em>). Estas palavras foram escritas por volta dos anos 433 e 425 antes da era cristã. Os problemas que afectavam a sociedade naquela altura são os mesmos que afectam a dos tempos modernos. Não há grandes diferenças, porque o ser humano se deixa levar pelos mesmos sentimentos egoístas; numa palavra só – pelo pecado.</p>
<p>O grande erro que os que querem viver honesta e justamente cometem é pensar que os “espertos”, os soberbos, os ímpios, os malfeitores nunca serão apanhados. A voz do povo é unânime em dizer que os grandes, ainda que sejam apanhados, nunca receberão o castigo merecido. Os recursos sucedem-se uns após outros, as decisões do tribunal prescrevem, e eles continuam a viver a sua vida luxuosamente. Diz o profeta que é olhando para estas situações que as pessoas comuns acabam por não cumprir com os seus deveres. Elas acham que se deve cumprir com os preceitos, mas perante as circunstâncias são actos inúteis. Elas concluem que servir ou não servir a Deus é a mesma coisa, que não há qualquer recompensa, que não se ganha nada com isso. De facto, quando vemos as coisas em termos de causa/efeito, é natural pensar-se que não vale a pena estar-se preocupado com o cumprimento de deveres religiosos ou legais. As pessoas só estão dispostas a cumprir com os seus deveres se verificarem que isso lhes traz proveitos imediatos.</p>
<p>Mas há quem não esteja preocupado com os proveitos imediatos. Estes são os que temem ao Senhor. O profeta Malaquias diz que há pessoas que só se preocupam em honrar o Senhor e respeitar a sua autoridade. Estes preocupam-se em animar-se uns aos outros, em orar para que o Senhor atente para eles e os ouça. O profeta diz que Deus se lembra disso porque eles lhe pertencem, eles são um tesouro especial para si e, por isso, promete poupá-los como um pai poupa a seu filho. Viver sob esta promessa é ter a certeza de que um dia se notará a dissemelhança. Deus vai preparar um dia especial para os que o temem (honram) e aí, Malaquias conclui: “Assim verão de novo a diferença que existe entre o bom e o mau, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (3:18 – <em>A Bíblia para Todos</em>). Afinal, o mundo não é dos espertos, mas, como disse Jesus: “Felizes os humildes, porque terão como herança a Terra” (Mateus 5:5 – <em>A Bíblia para Todos</em>). Honremos e respeitemos a autoridade do Senhor.</p>
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		<title>PASSOS FIRMES</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Sep 2009 12:00:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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“Os passos do valente são confirmados pelo Senhor; ele deleita-se no seu caminho; porque caindo não ficará prostrado, pois Iavé levantará com a sua mão” (Salmo 37:23-24)
Caminhar em piso irregular e cheio de buracos com sapatos de salto alto e fino é tarefa árdua e corajosa. Procurar caminhar em linha recta quando se está ébrio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>  </p>
<p>“<em>Os passos do valente são confirmados pelo Senhor; ele deleita-se no seu caminho; porque caindo não ficará prostrado, pois Iavé levantará com a sua mão</em>” (Salmo 37:23-24)</p>
<p>Caminhar em piso irregular e cheio de buracos com sapatos de salto alto e fino é tarefa árdua e corajosa. Procurar caminhar em linha recta quando se está ébrio é missão inglória. A probabilidade de queda e de desvio é maior e quase certa. Os passos não são dados com firmeza e segurança, pois há o risco de se ficar preso entre duas pedras, ou então a cabeça pende para um lado e para outro provocando cambaleio.  Se isto acontece na vida normal, mais acontece na vida espiritual.</p>
<p>O salmista, fazendo uma reflexão sobre a vida que algumas pessoas levam, conclui que não vale a pena ficar indignado nem ter inveja dos que vivem sem Deus. Aquele que tem uma comunhão íntima e pessoal com Deus torna-se um valente, uma pessoa forte. O segredo está em não se perder a pensar em ninharias sobre o que os outros possuem, como se a vida se resumisse apenas a isso. Ser um valente é confiar plenamente na acção e orientação de Deus, é descansar e esperar tudo em Deus, é saber que Ele conhece os nossos dias, é ter a certeza que nos dias maus não seremos envergonhados nem nos dias da fome passaremos miséria. A realidade da vida será percorrida com segurança e firmeza porque os nossos passos possuem uma característica que mais ninguém tem, que é terem a sua origem em Deus.</p>
<p>O verdadeiro prazer da vida está nessa relação tão pessoal com Deus. É nele que encontramos toda a alegria, toda a satisfação num caminho que sempre teremos de percorrer. Afinal o segredo está não em viver mas em saber viver. Só que erramos quando pensamos que o saber viver está na nossa capacidade de diversão pessoal, no desejo de tirar proveito de certas situações momentâneas, na cobiça do que os outros têm, na avareza daquilo que se possui. O verdadeiro deleite encontra-se na consciência de que os nossos passos estão a ser dados com origem, fundamento no Senhor Deus.</p>
<p>Mesmo assim, o valente não está livre de cair. A diferença está entre aquele que cai e procura levantar-se sozinho e aquele que tem a mão de Deus para o levantar. Aqueles que não têm os seus passos firmes em Deus, estarão continuamente a cair e até chegam a ficar prostrados de tal forma que não têm mais vontade de se levantar. Quantas frustrações são vividas por pessoas que não têm Deus na sua vida! A angústia apodera-se delas e as conduz muitas vezes à morte. Mas aquele que confia no Senhor e nele espera jamais ficará caído por terra, empapado na lama do pecado. A mão do Senhor se estende e o levanta quando por qualquer motivo acabou por cair. À semelhança de Pedro quando caminhava por cima das águas do mar em direcção a Jesus, basta-nos um pequeno desvio de olhar ou uma ponta de receio de cair para cairmos mesmo. A confiança do salmista é que o crente não ficará prostrado, mas continuará a dar os seus passos firmes depois da mão de Deus o levantar. Esta confiança só se adquire através de uma contínua e firme comunhão com Deus.</p>
<p>Seja um valente cujos passos são dados com firmeza e estabilidade porque iniciaram uma caminhada com Deus. Tenha verdadeiro prazer na sua caminhada, porque os seus passos estão firmados no Senhor. Entregue a sua vida nas mãos de Deus para que Ele o levante sempre que você cair.</p>
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		<title>TEMPOS DE REFRIGÉRIO</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Sep 2009 11:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
				<category><![CDATA[Mensagem]]></category>

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“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor” (Actos 3:19)
Terminou mais um fim-de-semana, que, de acordo com as experiências de cada um, foi bom ou mau, foi espectacular ou um desgosto, foi uma realidade ou uma ilusão. Sabemos que as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p> </p>
<p>“<em>Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, de sorte que venham os tempos de refrigério, da presença do Senhor</em>” (Actos 3:19)</p>
<p>Terminou mais um fim-de-semana, que, de acordo com as experiências de cada um, foi bom ou mau, foi espectacular ou um desgosto, foi uma realidade ou uma ilusão. Sabemos que as experiências condicionam o nosso estado de espírito. São elas que nos indicam o aspecto positivo ou negativo da vida. No entanto, não podemos esquecer que elas são produto das nossas escolhas. E as escolhas são feitas de acordo com os objectivos que queremos alcançar.</p>
<p>Na leitura de Actos 3:12-19, destaquei aquele versículo depois de reflectir na narrativa do autor Lucas sobre o evento que ocorreu junto ao templo de Jerusalém. A tecedura da narrativa mostra-nos um espaço singular, onde as personagens se movimentam. Esse espaço é visto como o ponto de convergência de três tipos de pessoas: Os que ali vão receber sem precisarem (o povo); os que vão receber porque precisam mesmo (o coxo desde a nascença) e os que vão para dar (Pedro e João). Os que precisam mesmo são uma ínfima percentagem, os que dão são uma percentagem reduzida e os que nem precisam mas vão para receber são a maioria. Pedro e João certamente já tinham aprendido o ensino de Jesus de que mais bem-aventurada coisa é dar do que receber. Portanto, o seu objectivo em ir ao templo é para dar algo que eles têm. “Prata e ouro não tenho, mas o que tenho, isso te dou”, disse Pedro àquele mendigo que era colocado ali todos os dias por algum familiar ou amigo. E, quando ele deu o que tinha, aconteceu o milagre. Tudo bem. Houve alegria. Houve louvor a Deus. Entretanto, impressionante na trama da narrativa é a caracterização do povo: pasmado, assombrado, atónito, admirado. Parece que o povo nunca tinha experimentado nada igual. A realidade é que o povo iria à espera de receber mas sem esperança que recebesse alguma coisa. Partiam, todos os fins-de-semana, para o templo com uma atitude de resignação: “Vamos lá pedir a Deus que nos abençoe, mas sabemos que tudo vai continuar na mesma. No início da semana voltamos ao trabalho, às encrencas, ao mau ambiente, à maledicência, à chatice e nada muda. No próximo fim-de-semana cá estaremos outra vez para cumprir o nosso dever religioso”. Nada acontece para eles. Mas, quando acontece alguma coisa, deixam-se enredar pelo estupor, pelo êxtase, pela estupefacção, pela admiração. O relevante é que todas estas palavras são sinónimo de paralisia, imobilidade. Perante esta situação o povo é confrontado com uma situação que certamente não estava à espera. Pedro disse claramente que a sua atitude de paralisia, de resignação com a vida, é que tinha levado Cristo à morte. O povo que Deus tinha escolhido negou, entregou e matou o Príncipe ou Autor da vida. Este povo vinha ao templo, mas não conseguia respirar o ar fresco que Deus lhe proporcionou quando ressuscitou a Jesus Cristo dentre os mortos. O povo só estava interessado em receber, mas mesmo assim não conseguia obter resultados porque se mantinha resignado com a vida, não queria acreditar que Jesus pudesse fazer a diferença na sociedade de então. Por isso, preferiram pedir um salteador e homicida, negando o Santo e o Justo. O povo vive atrofiado com todo o tipo de poluição que paira à sua volta e precisa que “venham os tempos de refrigério da presença do Senhor”.</p>
<p>O pecado (do venha a nós) não deixa o povo respirar o verdadeiro ar puro. A palavra “refrigério” traduz o termo grego <em>anápsuksis</em>, que tem implícita a ideia de “espaço para respirar”, “relaxe”, “alívio”. A palavra “tempo” (<em>kairós</em>) denota o momento da intervenção de Deus em qualquer geração. Este tempo não é cronometrado, pois está muito acima dos segundos e minutos que os ponteiros do relógio marcam. Quando o povo não vive esta experiência na presença do Senhor só há um caminho a tomar: Arrepender-se e converter-se. A palavra “arrepender” (<em>metanoéô</em>) tem a ver com “mudança de mente”. O nosso pensamento e mentalidade têm de mudar para se conformar com o pensamento de Deus. O “converter” (<em>epistrépfô</em>) significa “fazer inversão de marcha” e começar a caminhar em direcção ao alvo que Deus tem para nós. Isto é o que temos de fazer se queremos que os nossos pecados sejam apagados. Se nos queremos ver livres deste pecado que nos atrofia todos os fins-de-semana, precisamos de ter aquilo que é fundamental para dar aos outros. Vamos ao culto para dar o Senhor Jesus Cristo àqueles poucos que ainda não O têm. Só quem respira o ar puro da presença do Senhor é que não fica paralisado com o que acontece aos fins-de-semana, pela acção poderosa de Deus.</p>
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		<title>A CIDADE</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Aug 2009 20:35:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Virgílio Barros</dc:creator>
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Viver numa cidade tem as suas vantagens e desvantagens. Parece, porém, que as pessoas conseguem apresentar mais desvantagens do que vantagens. Mesmo assim, a correria para as cidades continua de forma desenfreada. A concentração de pessoas nas cidades é um dos factores que contribui para a degradação do ser humano. Muitas vezes a cidade é [...]]]></description>
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<p style="text-align: left;">Viver numa cidade tem as suas vantagens e desvantagens. Parece, porém, que as pessoas conseguem apresentar mais desvantagens do que vantagens. Mesmo assim, a correria para as cidades continua de forma desenfreada. A concentração de pessoas nas cidades é um dos factores que contribui para a degradação do ser humano. Muitas vezes a cidade é sinónimo de violência, delinquência, pobreza, doença, imoralidade, vaidade, hipocrisia e outras situações que nada contribuem para o bem-estar do ser humano. Na cidade, as pessoas encontram mais divertimentos, passatempos e espaços de lazer que, embora alguns até pudessem ser saudáveis, contribuem para situações opressivas por parte daqueles que não têm escrúpulos em explorar e oprimir os mais débeis e incautos. É na cidade que mais se nota a lei do mais forte e a exploração do mais fraco. Na cidade não há compaixão pelo mais fraco e necessitado. Na cidade, as pessoas deixam-se apanhar, por vontade própria, nas malhas do pecado e, quando dão por ela, já não conseguem livrar-se das garras dos vícios. É na cidade que as pessoas se acham senhoras e donas dos seus narizes, ostentando toda a sua presunção e rebeldia contra a existência de um Deus que quer o melhor para elas. É na cidade que as pessoas não têm tempo para Deus, pois encontram os seus deuses que lhes dão prazer efémero.</p>
<p>Apesar de toda esta vivência na cidade, o profeta Isaías (25:1-8) apresenta-nos uma mensagem de esperança para aqueles que têm Deus como seu Senhor. Os que crêem em Deus só têm uma preocupação: confessá-lo como seu Deus e adorá-lo. Tendo em atenção às maravilhas que Deus tem feito e aos conselhos que dá para uma vida saudável e recta, o crente louva-O porque sabe que vai haver um novo dia de libertação. Nas palavras do profeta, a cidade será feita num montão, em ruínas (v.2) e o crente só poderá exclamar: “Ó Senhor, tu és o meu Deus; exaltar-te-ei a ti e louvarei o teu nome; porque fizeste maravilhas…” (v. 1).</p>
<p>A realidade é que não haverá poderoso nem violento que consiga enfrentar o Deus vivo e verdadeiro. Os arrogantes sucumbirão perante o Senhor, enquanto os pobres, os necessitados e os angustiados encontrarão no Senhor a verdadeira fortaleza (v.4). Na cidade, os poderosos banqueteiam-se e assopram violência contra os indefesos, mas esquecem que Deus é o refúgio contra a tempestade e a sombra contra o calor daqueles que confiam nele e o louvam no seu templo (v.5). Desiludam-se os arrogantes, porque a vida não lhes continuará a sorrir como até agora. Desenganem-se os foliões que buscam mais o prazer em coisas fúteis do que na adoração ao Senhor dos senhores.</p>
<p>Os que confiam no Senhor Deus Todo-poderoso receberão o banquete divino que dá a verdadeira alegria em pureza (v. 6). A verdadeira esperança que o crente em Deus tem é que Ele aniquilará a morte para sempre e enxugará as lágrimas de todos os rostos e tirará o opróbrio daqueles que são seus (v.8). Só Deus pode fazer isto. Não há mensagem mais sublime do que esta. Em Deus reside toda a nossa esperança.</p>
<p>Se você faz parte do grupo que procura na cidade a razão, o poder e a luxúria para a sua vida, não faça frente ao Senhor do universo; renda a sua vida a Ele e glorifique-O; reconheça a sua necessidade e refugie-se nele; aceite a dádiva divina de vida para sempre sem lágrimas e sem angústias.</p>
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