Propósito na Vida

Certamente não precisamos de sofrer o tipo de desaires que os haitianos, os chilenos, os madeirenses e outros viveram para fazermos a pergunta existencial que o ser humano costuma fazer: Qual é o propósito desta vida? Às vezes, pequenas desventuras são o suficiente para praguejarmos contra a vida, para amaldiçoarmos o dia do nosso nascimento, para nos afundarmos no poço da miséria e não termos contentamento algum na vida que temos.

A Bíblia conta a história de José, filho de Jacó, que era odiado pelos seus dez irmãos e foi vendido para o Egipto. Este jovem tinha todas as razões para desatinar com a vida. Depois de vendido, quando tudo parecia correr bem, foi acusado de se meter com a mulher do seu senhor e acabou na prisão. Entretanto, chegou ao posto de governador do Egipto, por ter dado bons conselhos a Faraó sobre a fome que viria passados sete anos de fartura. O que ele não estava à espera era que os seus irmãos que o maltrataram aparecessem diante dele a pedir alimentos. Eles não o conheceram, mas ele soube desde o princípio quem eles eram. Ele viveu momentos de sentimentos contraditórios entre vingar-se deles e fazer-lhes bem, e foi criando situações que demonstram a luta deste dualismo.

Em Génesis 45:1, lemos que a certa altura ele já não podia conter-se mais e deu-se a conhecer a seus irmãos. Quando ele se identificou como José e perguntou pelo seu pai, os seus irmãos não conseguiram responder-lhe devido ao espanto que se apoderou deles. Provavelmente começaram a lembrar-se das experiências antagónicas que tinham vivido, tais como serem bem tratados, receberem o dinheiro dos alimentos de volta e, por outro lado, serem acusados de roubo e terem de deixar ficar preso um dos irmãos. No seu cérebro corriam mil pensamentos, principalmente o facto de terem vendido José e terem dado a notícia ao seu pai de que uma fera o tinha devorado. Agora estavam perante ele, o governador sobre toda a terra do Egipto. O que eles não estariam certamente à espera era ouvir estas palavras de José: “Não vos entristeçais nem vos aborreçais por me haverdes vendido para cá; porque para preservar vida é que Deus me enviou adiante de vós” (Gén. 45:5).

No meio de toda a adversidade, José encontrou um propósito para a sua vida e não deixou que o ódio, a raiva ou o sentimento de vingança dominassem o seu coração. Há coisas que nos acontecem que não conseguimos descortinar o seu objectivo, mas aquilo que nos parece sem nexo tem sempre uma finalidade. O interessante das palavras de José é que ele viu Deus no controlo dos acontecimentos. Nada do que lhe aconteceu foi despropositado, embora só agora visse para onde o rumo dos acontecimentos o levava. Para ele, fora Deus que o colocara naquela situação, naquele posto, para preservar vida. Também nós devemos ter esta consciência e convicção, as quais só se alcançam com uma vivência diária com Deus, em oração e leitura da Sua palavra.



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