ORAR É COMBATER

Saúda-vos Epafras, que é um de vós, servo de Cristo Jesus, e que sempre luta por vós nas suas orações, para que permaneçais perfeitos e plenamente seguros em toda a vontade de Deus” (Colossenses 4:12).

 

Nem sempre o momento de oração é uma oportunidade para relaxar, aquietar ou acalmar, principalmente quando está em causa a vida espiritual dos nossos irmãos e mesmo a nossa. O apóstolo Paulo falou de Epafras, provavelmente um gentio que fazia parte do grupo de crentes em Colossos, dizendo que estava a lutar, a combater pelos crentes daquela cidade. A palavra que é usada no texto deu origem à palavra portuguesa “agonizar”. No grego clássico, a palavra estava associada aos jogos públicos realizados nas arenas e, por conseguinte, às lutas travadas pelos concorrentes para preservar a vida. Portanto, a agônía era uma questão de vida ou morte. Ao ser usada para falar da oração, o verbo adquire uma intensidade que nós, provavelmente, nem sempre estaríamos à espera. Isto significa que é preciso olhar para a oração também como uma luta de vida ou morte.

Aqui, recordamos a luta que Jacó teve com o varão no vau de Jaboque, porque queria que ele o abençoasse. Jacó lutou de tal forma com o varão que este viu-se obrigado a ferir a coxa do patriarca de Israel. Nesta luta com Deus, uma vez que Jacó acaba por reconhecer que tinha visto a Deus face a face, o patriarca sai ferido, mas com a bênção de Deus. Muitas vezes não estamos preparados para reconhecer que o momento de oração é agonia, é luta, é combate com Deus e que, ao sairmos da arena, saímos feridos no nosso orgulho, na nossa presunção, na nossa vaidade.

No entanto, o texto transcrito acima fala-nos de uma luta a favor dos outros. Epafras estava preocupado com a situação dos crentes em Colossos. Ele era um servo (doulos) de Cristo que estava pronto a lutar pela vida dos seus irmãos. E a oração era a sua luta, a sua agonia. A sua preocupação era a permanência dos crentes na vontade de Deus. Provavelmente haveria o risco de os crentes daquela cidade deixarem de fazer a vontade de Deus. Podemos inferir do texto duas causas para a instabilidade dos crentes: 1. A falta de maturidade; 2. A falta de certeza. A luta de Epafras visa o desenvolvimento dos crentes no conhecimento total da vontade de Deus. Quando não conhecemos a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, não há amadurecimento na nossa vida espiritual nem certeza absoluta do que Deus quer para nós.

A nossa permanência na vontade de Deus está relacionada com a nossa maturidade. A palavra “perfeito” não significa “atingir o estatuto de infalibilidade”, mas antes estar orientada para Deus ou Cristo, ainda que esteja em perigo de vida. Permanecer perfeito na vontade de Deus é não desviar-se do propósito supremo que Deus tem para a nossa vida. Ao mesmo tempo, a nossa permanência na vontade de Deus está relacionada com a certeza plena do que estamos a fazer. Algumas Bíblias traduzem a palavra por “consumados”, dando o sentido de “completos”. Em outros textos, porém, a palavra é traduzida por “estar plenamente convencidos” (Rom 4:21; 14:5), por se encontrar na Voz Passiva. A insegurança na nossa vida está relacionada com a falta de certeza daquilo que Deus quer para nós. E esta incerteza exige um combate agonizante de oração, de onde podemos sair feridos, mas o resultado espiritual será a firmeza.

O que não podemos esquecer é que esta luta produz em nós a força para realizarmos “toda” a vontade de Deus e não somente algumas partes.



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