“O Senhor, porém, vos faça crescer e transbordar em amor uns para com os outros e para com todos, como também nós para convosco” (1 Tessalonicenses 3:12)
Nesta altura do ano, é muito comum ouvirmos as tradicionais, e muitas vezes ocas, frases de “Feliz Natal” e “Boas Festas”. Enfeitam-se as casas com coroas de natal, azevinho e presépios; iluminam-se as ruas com lâmpadas multicores; ornamentam-se as árvores com bolas e fitas reluzentes; enchem-se as mesas com toda a espécie de iguarias de norte a sul; no entanto, não se vive a essência do Natal. Nas frases supra citadas apenas reina o espírito dionisíaco em contraste com o espírito cristão. O espírito dionisíaco é caracterizado pela folia, pela festa, pelo hedonismo, correndo e jorrando a bebida preferida de Baco. O espírito cristão é caracterizado pela tranquilidade, humildade e singeleza de um presépio, onde reina fundamentalmente o amor.
O nosso desejo é que em mais um Natal reinasse o verdadeiro amor de Deus. Mas para isso é necessário ter em conta três factores fundamentais na criação e desenvolvimento do amor no mundo. O primeiro factor é o reconhecimento de que o amor só existe e se desenvolve pela acção do Senhor. No versículo referido acima, Paulo expressa um desejo, uma oração, que ele quer ver entre os cristãos. Ele diz: “O Senhor vos faça crescer e transbordar …”. A sua convicção é que o Senhor Jesus é que tem o poder para fazer crescer e transbordar cada pessoa em amor. É o Senhor do Natal que tem o condão de instilar em nosso coração o verdadeiro amor. Portanto, o amor não é um capricho humano nem surge por vontade humana, mas é um sentimento provocado por Deus. Só quem deixa o Senhor fazer isto na sua vida é que terá o dom de amar os outros.
O segundo factor, apresentado neste versículo, é a consciência de que o amor deve ser praticado na mutualidade e para com todos. Muitas vezes, se não sempre, o amor é praticado nesta altura entre as pessoas que se gostam, com o objectivo de troca num “toma lá e dá cá”. Quantas vezes não ouviram os comentários: “Eu dei isto e aquilo a fulano e sicrano e nem um porta-chaves me ofereceram”? “Tenho dado a fulana e a sicrano um presente todos os anos, mas este ano não vou dar nada, porque eles nunca me deram nada”. Enfim. É este o espírito reinante com características dionisíacas. O amor que Deus instaura em nossos corações não faz acepção de pessoas. O nascimento de Jesus trouxe uma boa nova que seria para todo o povo. Não se destinava apenas aos amiguinhos nem aos ricos nem aos de estatuto social, era também para os pobres, para os ignorantes, para os marginalizados. [...]
