O MUNDO É DOS SOBERBOS
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
Nada do que ouvimos e vemos acontecer nos nossos dias é novo debaixo do sol. Não é de espantar que pessoas “importantes”, com responsabilidades governativas e sociais, se tenham aproveitado das suas posições para melhorarem o seu nível de vida e parecerem ainda mais “importantes” aos olhos dos pobres e indigentes. A maioria das pessoas só pensa em si e utiliza todos os meios, sejam quais forem, para atingir os seus fins. A ideia de que “quem trabalha consegue” não corresponde à realidade. Para se conseguir ter avultadas quantias de dinheiro é preciso maquinar uma série de falcatruas e malabarismos; é preciso não pensar nas necessidades dos desafortunados (falo fundamentalmente dos que foram vítimas); é preciso prejudicar o genuíno conceito de família; é precisa acabar com a saúde, e muitas outras coisas. Muitas pessoas só pensam no seu umbigo. Quando olhamos para essas pessoas, parece-nos que tudo lhes corre bem. À custa de erário público e da escravidão dos pobres trabalhadores as pessoas “importantes” vão arrecadando e ampliando os seus celeiros com casas fabulosas, carros de luxo, refeições lautas, iates sumptuosos, viagens exorbitantes, lazeres desmedidos, em suma: vidas opíparas.
O profeta Malaquias, contemporâneo de Esdras e Neemias, que proclamou a mensagem de Iavé no período depois do cativeiro da Babilónia, retratou a sociedade judaica como sendo a dos oportunistas e soberbos. Naquela altura, segundo o que escreveu o profeta as pessoas diziam: “É inútil servir a Deus. Que aproveitámos nós em ter cumprido os seus preceitos e em fazer penitência em honra do SENHOR todo-poderoso? Temos visto que os arrogantes são felizes e que os que praticam o mal prosperam. Põem Deus à prova e não recebem castigo!” (Malaquias 3:14-15 – A Bíblia para Todos). Estas palavras foram escritas por volta dos anos 433 e 425 antes da era cristã. Os problemas que afectavam a sociedade naquela altura são os mesmos que afectam a dos tempos modernos. Não há grandes diferenças, porque o ser humano se deixa levar pelos mesmos sentimentos egoístas; numa palavra só – pelo pecado.
O grande erro que os que querem viver honesta e justamente cometem é pensar que os “espertos”, os soberbos, os ímpios, os malfeitores nunca serão apanhados. A voz do povo é unânime em dizer que os grandes, ainda que sejam apanhados, nunca receberão o castigo merecido. Os recursos sucedem-se uns após outros, as decisões do tribunal prescrevem, e eles continuam a viver a sua vida luxuosamente. Diz o profeta que é olhando para estas situações que as pessoas comuns acabam por não cumprir com os seus deveres. Elas acham que se deve cumprir com os preceitos, mas perante as circunstâncias são actos inúteis. Elas concluem que servir ou não servir a Deus é a mesma coisa, que não há qualquer recompensa, que não se ganha nada com isso. De facto, quando vemos as coisas em termos de causa/efeito, é natural pensar-se que não vale a pena estar-se preocupado com o cumprimento de deveres religiosos ou legais. As pessoas só estão dispostas a cumprir com os seus deveres se verificarem que isso lhes traz proveitos imediatos.
Mas há quem não esteja preocupado com os proveitos imediatos. Estes são os que temem ao Senhor. O profeta Malaquias diz que há pessoas que só se preocupam em honrar o Senhor e respeitar a sua autoridade. Estes preocupam-se em animar-se uns aos outros, em orar para que o Senhor atente para eles e os ouça. O profeta diz que Deus se lembra disso porque eles lhe pertencem, eles são um tesouro especial para si e, por isso, promete poupá-los como um pai poupa a seu filho. Viver sob esta promessa é ter a certeza de que um dia se notará a dissemelhança. Deus vai preparar um dia especial para os que o temem (honram) e aí, Malaquias conclui: “Assim verão de novo a diferença que existe entre o bom e o mau, entre o que serve a Deus e o que não o serve” (3:18 – A Bíblia para Todos). Afinal, o mundo não é dos espertos, mas, como disse Jesus: “Felizes os humildes, porque terão como herança a Terra” (Mateus 5:5 – A Bíblia para Todos). Honremos e respeitemos a autoridade do Senhor.
