PANTOCRATOR
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Uncategorized
Certamente, todos nós relembrámos, com tristeza e amargura, as mais de 2.000 pessoas que morreram vítimas do atentado terrorista em 2001 às conhecidas Torres Gémeas, em Nova Iorque. Não há nada que possa suavizar a mágoa dos ente queridos, por mais museus e memoriais que se construam. Infelizmente o ser humano pensa sempre que a edificação de algo fará com que o mundo não esqueça e não repita os actos atrozes e hediondos praticados pelo próprio ser humano ao longo da história da humanidade. A realidade é bem notória, e contraditória ao que o ser humano pensa.
As imponentes torres, com 110 andares e 417 metros de altura até ao telhado, foram construídas depois da II Guerra Mundial, com base na prosperidade económica e o aumento do comércio internacional. A baixa de Manhattan seria o local ideal para edificar o maior complexo da humanidade que reuniria o Centro Comercial Mundial (World Trade Center). Eles não queriam que este Centro fosse mais um entre tantos outros, mas queriam que ele fosse o mais importante à escala mundial. Tudo foi preparado ao pormenor para que a glória do ser humano se evidenciasse. O próprio chefe dos engenheiros, Leslie Robertson, considerou, no plano de construção, a possibilidade de um Boeing 707, o maior na altura, chocar contra o edifício e, feitos os devidos estudos, considerou-se que nem um avião destes deitaria abaixo os edifícios. Eis a presunção do ser humano ao mais alto nível. Contudo, foi o próprio ser humano que arrasou o monumento do orgulho da humanidade.
O problema do ser humano continua a ser o orgulho, a vaidade, a ideia de que ele é o princípio e o fim de todas as coisas; a ideia de que ele é o que pode todas as coisas, o pantocrator. Do texto bíblico desta manhã, em Apocalipse 1:8-11, destaco o versículo 8 que diz: “Eu sou o alfa e o ómega, (o princípio e o fim), diz o Senhor Deus, o que é, e que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso”. O ser humano tem dificuldade em reconhecer que haja alguém que está acima dele; alguém em quem convergem todas as coisas; alguém que deve ser adorado e servido como o Pantocrator (termo transliterado do grego que significa “Todo-poderoso”. A vida de cada um de nós vai de A a Z, tem um princípio e um fim, mas o Senhor Deus é aquele que deve estar no início e no fim da nossa história, porque só Ele é eterno. Ele não só faz parte do presente, como também fez parte do passado e fará parte do futuro. Nós ainda não existíamos e Ele já era adorado como o Pantocrator pelos povos que o reconheciam como Senhor. Nós já não faremos parte do número dos viventes e Ele continuará a ser o Pantocrator de toda a humanidade.
Novos edifícios se levantarão na baixa de Manhattan, em Nova Iorque, mas nada garante que eles ficarão para a posteridade. Os seus dias também estão contados, e o ser humano só precisa de reconhecer que o único ser eterno é Deus, o Pantocrator.

