ALFABETIZAÇÃO: PERDIÇÃO OU SALVAÇÃO?
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Actualidades
A UNESCO consagrou o dia 8 de Setembro como Dia Internacional da Alfabetização, tendo em conta o facto de haver tanta gente sem saber ler, compreender e escrever, em todo o mundo. Em Portugal, de acordo com os censos de 2001, temos ainda 9% de analfabetos. Os pressupostos, para a organização das nações Unidas para a educação, ciência e cultura, são de enaltecer, porque se crê que com a alfabetização haverá um desenvolvimento sustentável entre todas as pessoas, países e raças. Crê-se que se erradicará a pobreza, se aumentará a possibilidade de emprego, se promoverá a igualdade de sexos, se melhorará o sistema de saúde, se protegerá o ambiente e se promoverá a participação democrática. Não há dúvida que a alfabetização é importantíssima no desenvolvimento pessoal e profissional de cada ser humano. Agora, o que não se pode dizer é que o analfabetismo é o grande causador da exclusão social das camadas mais pobres da população. O problema não está na pessoa analfabeta, porque esta não teve as oportunidades nem lhe foram criadas as condições para ser alfabeta, mas está, isso sim, nos “analfabetos” alfabetizados que na sua presunção, orgulho e vaidade se acham os senhores e dominadores de todos os que não sabem ler, levando-os à escravidão e à pobreza. O que sabemos é que em países onde o índice de alfabetização ronda os 99%, tais como a Lituânia, Geórgia, Ucrânia, Cuba e outros, a pobreza também existe em grande percentagem, para não falar da discriminação social e racial, para não falar da perseguição religiosa que se promoveu durante décadas e em parte ainda continua a fazer-se. A alfabetização não é tudo. Para alguns tem servido de trampolim para galgar tudo e todos sem escrúpulos e com dolo. Infelizmente muitas pessoas usam a sua “alfabetização” para dominar, escravizar e explorar os outros que não tiveram as mesmas oportunidades. Numa sociedade como esta, onde os “senhores doutores” se acham mais sábios, aproveita-se toda a situação para arrebanhar dos outros tudo quanto é de “valor”, principalmente a nível financeiro. E quem assim viu fazer vai pensar que também precisa de ser alfabetizado para atingir as mesmas riquezas e o mesmo poder daqueles que se encontram nos poleiros.
Quando os cristãos surgiram, pregando o evangelho de Jesus Cristo, uma nova forma de viver tanto no plano horizontal como vertical, foram chamados de “indoutos”, “iletrados”. Durante o meu ministério sempre ouvi dizer que “essa coisa da fé e da religião” era para ignorantes, para pessoas que não sabiam ler. E ainda hoje, se continua a dizer que quem crê em Deus e na Sua intervenção nas suas vidas são uns “coitadinhos”, não sabem nada, não têm mais conhecimentos. Enfim! Por isso, muitos dos alfabetizados acham-se tão importantes e com autoridade para menosprezarem aqueles que crêem no evangelho de Cristo. Resta-nos, a nós cristãos, descansarmos nas palavras do apóstolo Paulo quando escreveu ao filipenses, dizendo: “Em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas, para vós, de salvação” (Fil. 1:28). O verbo “resistir” denota aqueles que se opõem a alguma coisa, são os anti-cristãos. Eles até podiam saber ler, escrever e compreender um texto, mas estavam longe de compreender a essência do evangelho de Cristo. Para nada adianta a alfabetização se o programa não incluir a consciência de que só Deus tem poder para transformar o íntimo do ser humano levando-o a amar o seu próximo e assim criar mais igualdade, fraternidade e liberdade. Isto implica saber ler, compreender e aplicar a Bíblia, como Palavra de Deus, à nossa vida. Quem souber fazer isto pode considerar-se uma pessoa verdadeiramente alfabetizada, cujo resultado será a salvação.
