PREPARADOS PARA A LUTA
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
“Vamos à luta”, dizia o homem calvo, meticulosamente vestido, com um jornal debaixo do braço e uma mão agarrada à pega lateral de um dos bancos do comboio, numa manhã que acordava chorosa e tépida. Esta é a expressão que se usa diariamente quando se considera que a vida é uma luta constante. Foi a passagem bíblica em Juízes 7:1-8 que me fez lembrar este episódio diário de quem vai para o trabalho ou está prestes a iniciar a sua actividade.
Gideão e 32.000 pessoas levantaram-se de madrugada a fim de se prepararem para uma luta contra um exército gigantesco de 135.000 homens. A preparação deu-se junto da fonte de Harode, termo que em hebraico significa “tremor”. Na realidade o texto mostra-nos que a preparação para a luta não era feita sem haver algum tremor, medo ou aflição por aquilo que iriam enfrentar. Quantas vezes não vivemos essa situação quando estamos perante o espelho a fazer a nossa toilette? Sabemos o que vamos encontrar no local de trabalho, e só de pensar já estamos a tremer. A angústia apodera-se de nós, mas começamos a arranjar uma série de esquemas que nos ajudem a vencer as etapas.
O texto bíblico informa que Deus disse a Gideão: “O povo que está contigo é demasiado”. Certamente Gideão pensou: “Deus só pode estar a brincar. Desde quando 32.000 pessoas são demais para 135.000 soldados?”. Também nós costumamos achar que todas as armas que conseguirmos são poucas para os problemas que vamos enfrentar. Mas Deus tem razão. Cada soldado israelita teria de lutar com 4 soldados midianitas. Se vencessem, facilmente iriam dizer: “Nós somos bons. Conseguimos derrotar estes midianitas com uma perna às costas”. Esta é a nossa atitude quando achamos que conseguimos dar a volta aos problemas no trabalho.
Infelizmente, quando as pessoas têm tudo, habilitações, capacidade, formação e outras coisas, pensam que tudo se deve à sua inteligência e não são capazes de reconhecer a mão de Deus em todo o processo. Por isso, Deus ordenou a Gideão que mandasse embora todos aqueles que tivessem medo. Mais de 2/3 do povo retirou-se. Se dessem permissão à população activa de Portugal para faltar ao trabalho por diversas razões, certamente a maioria ficaria em casa.
Dos dez mil que ficaram, Deus ainda queria reduzir mais. Ficaram apenas 300, porque 9.700 soldados denotaram irresponsabilidade, desleixo perante o perigo em que se encontravam. Estes 300 homens que Deus iria usar apresentavam características fundamentais para a luta. Eram pessoas que não temiam e estavam sempre vigilantes. Apesar de poucas, estas pessoas deviam saber que Deus estava ao seu lado, pelo que não tiveram medo. Apesar de poucas, estas pessoas sabiam que deviam estar sempre vigilantes. Deus muitas vezes permite que as nossas fraquezas se evidenciem para que a graça dele se aperfeiçoe em nós (2 Cor. 12:9). Por outro lado, Deus espera que sejamos vigilantes e que oremos para não entrarmos em tentação (Mat. 26:41).

