Cordeiros no Meio de Lobos

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 “Ide; eis que vos envio como cordeiros ao meio de lobos (disse Jesus)” (Lucas 10:3)

Ao contrário do que acontece no reino animal, onde os lobos são uma espécie em extinção, no reino da humanidade parece que o número é cada vez maior e mais feroz. Não se contentando com a satisfação das suas necessidades básicas, a concupiscência que ele deixa desenvolver dentro de si empurra-o para a satisfação das suas vaidades. Para adquirir o poder, o ser humano é capaz de inventar e criar os piores artefactos para destruir, moral e psicologicamente, o seu próximo, que considera inimigo, e, por conseguinte, se torna ele mesmo também um inimigo. Desde os primórdios da existência do ser humano a maquinação da maldade é uma constante. A Bíblia já o dizia, os profetas já o anunciavam e Jesus já o avisara. Quando Tomás Hobbes, em 1651, escreve que o “homem é o lobo do homem” não está a trazer qualquer novidade ao mundo. No entanto, através da reflexão, até mesmo daquilo que a Bíblia dizia, o filósofo inglês constata que o ser humano só fica satisfeito quando, sem matar o outro, subjuga e vê o terror nos olhos do outro a transmitir o reconhecimento da sua superioridade. Nenhum ser humano fica satisfeito enquanto não vir no outro esse reconhecimento. Depois de umas eleições, não se vê outra satisfação que não seja: “nós vencemos”, “somos melhores”, “os nossos adversários tiveram uma pesada derrota”. E isto aplica-se a todos os partidos, os quais não fizeram outra coisa a não ser acusarem-se uns aos outros.

Mas estas situações encontram-se em espaços mais restritos, tais como as comunidades, os locais de emprego, as famílias. A sociedade está contaminada desde o seu núcleo mais pequeno até ao global. Tanto num espaço reduzido como num espaço mais amplo, dia a dia vivemos a angústia de sermos desprezados, enxovalhados, menosprezados ou humilhados. Daí a nossa insatisfação ainda que tenhamos satisfeitas as nossas necessidades básicas. Tal não acontece, porém, com aqueles que encontraram a sua salvação em Jesus Cristo . Ele salva-nos desta angústia, quando o reconhecemos como nosso Senhor e queremos que ele domine completamente o nosso ser. E são estas pessoas que Ele escolhe para enviar ao meio de lobos.

O texto de Lucas 10:1-11 descreve-nos o envio de Jesus de 70 dos seus discípulos a todas as cidades e lugares aonde ele havia de ir. A tarefa destes discípulos consistia em duas coisas: Levar a paz e anunciar a chegada do Reino de Deus. Desta forma, a mensagem de Deus para nós hoje é anunciar a paz em qualquer lugar onde estejamos (escola, emprego, casa, igreja). Sabemos que, cada dia que vamos para o nosso trabalho, iremos encontrar um ambiente de ferocidade lupina. Mas devemos anunciar e viver a paz de Cristo. Ainda que os outros não a queiram, devemos continuara a ser os portadores da paz. Se assim o fizermos, estaremos a contribuir para um melhor ambiente.

No entanto, o nosso trabalho estará incompleto se não anunciarmos também a chegada do reino de Deus. Esta expressão significa “o reinado de Deus na vida de cada pessoa”. Quando vivemos a paz de Cristo em nós no meio de tanta pressão e angústia, as pessoas começam a perguntar como é que nós conseguimos estar tão calmos e serenos. Então a resposta só pode ser: “é porque eu decidi reconhecer a Jesus como Senhor da minha vida”. Isto é anunciar que o reinado de Deus já chegou àquele lugar e está pronto a funcionar desde que as pessoas aceitem o senhorio de Cristo e não queiram ser reconhecidos como “senhores”.

Jesus quer passar pelo lugar onde você está. Por isso, o enviou a esse lugar.



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