Como Sair da Opressão
Escrito por: VirgÃlio Barros | Categoria: Mensagem
Qualquer animal que se sente ameaçado procura reagir de forma violenta para amedrontar quem ou o que o ameaça. Quer seja por instinto de sobrevivência ou por controlo de território ou por não ter espaço para fuga, o animal acaba por se tornar agressivo. Para Konrad Lorenz, essa agressividade nos animais tem um papel positivo para a sobrevivência da espécie, e no que concerne ao ser humano essa agressividade inata, porém, devia ser usada para comportamentos úteis na sociedade. Para este zoólogo austrÃaco, o ser humano tem infelizmente dois problemas: o primeiro é a sua capacidade para dispor de armas que aumentam o seu poder ofensivo, e o segundo é não ser capaz de respeitar o vencido.
Tendo sido prémio Nobel da Medicina e Fisiologia, em 1973, Lorenz defendia que o primeiro passo para a salvação da raça humana é compreender cada vez mais as causas naturais da nossa agressividade e assim estaremos mais aptos para a controlar com medidas racionais. Até pode ser que no mundo animal haja uma certa harmonia na agressividade dos animais, mas o problema do ser humano está muito para além de uma natureza inata de agressividade. O problema do ser humano é que ele vive escravo do seu próprio pecado, o qual tomou posse dele de tal maneira que tendo consciência de querer fazer o bem não o consegue fazer, e o mal que não quer voluntariamente fazer acaba por o praticar. Que grande dilema é este que o ser humano vive, e nenhum de nós foge à regra, porque a própria BÃblia diz que “todos pecaram e destituÃdos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23). O facto de estarmos destituÃdos da glória que Deus tinha preparado para cada um de nós torna-nos uns miseráveis oprimidos pelo pecado.
No entanto, a palavra de Deus, pela boca do profeta Samuel, apresenta-nos uma solução radical, mas eficaz. “Se de todo o vosso coração vos voltais para o Senhor, lançai do meio de vós os deuses estranhos e as astarotes, preparai o vosso coração para com o Senhor, e servi a ele só; e ele vos livrará da mão dos filisteus” (1 Samuel 7:3).
A primeira atitude a tomar é voltar para o Senhor. A palavra “voltar” é usada no contexto da conversão. Ela implica uma mudança de direcção na nossa vida. O povo estava voltado de costas para Deus, porque o seu coração, isto é, a sua forma de raciocinar estava adulterada, desfigurada. Na realidade, o ser humano só se poderá compreender a si mesmo, não através do conhecimento que possa adquirir sobre a sua agressividade, mas através da sua comparação com um Deus vivo, justo e santo. A nossa opressão é resultado do nosso afastamento daquele que desejava dar-nos a glória.
A segunda atitude é lançar fora os deuses que tomaram o lugar que pertencia única e exclusivamente a Deus. Ao vivermos a opressão do pecado, começamos a desenvolver dentro de nós uma apetência por aquilo que nos agrada, que nos dá prazer individual, que satisfaz o nosso “umbigo”. O povo de Israel, a certa altura, procurou um deus para si que não interferisse muito na sua vida. Eles criaram deuses que podiam ser manipulados por eles mesmos para satisfação do seu querer. Eles preferiam um deus que fosse sazonal, e não um deus que reagisse ao seu pecado. Por isso adoptaram, os deuses que os cananeus adoravam, tais como Baal, o deus da tempestade, do relâmpago e da fertilidade agrÃcola, ou a deusa Astarte, da guerra, do amor e da fertilidade, ao mesmo tempo. Estes deuses eram adorados conforme a disposição e o tempo das pessoas, conforme a meteorologia, ou conforme os ataques dos inimigos. O ser humano gosta de criar os seus próprios deuses a quem possa recorrer conforme o seu estado de espÃrito ou aflições que surjam pelas mais diversas situações. São deuses que tomam posse do nosso ser e nos controlam sem que liguemos muita importância ao estado de opressão que eles criam. É preciso fazer uma limpeza geral e profunda na nossa vida, para podermos desfrutar de uma verdadeira liberdade.
A terceira atitude tem a ver com preparação. A palavra hebraica usada neste versÃculo tem o significado etimológico de “estar firme”, “estabelecer” ou “fixar”. Depois de limparmos tudo aquilo que destruÃa a nossa vida, não há nada melhor do que usar material novo que crie condições de firmeza e segurança. A nossa mente, a nossa capacidade de raciocinar deve estar voltada para o Senhor. O coração do povo não poderia continuar a claudicar entre dois pensamentos, ou entre dois “senhores”. A preparação do coração tem a ver com o acto de apresentação da nossa vida como um sacrifÃcio vivo santo e agradável a Deus, num acto de culto lógico e coerente.
A quarta atitude é servir. O que certamente retrai qualquer ser humano é o ter que servir alguém. A tendência do ser humano, e aqui Lorenz tem muita razão, quando diz que nós não conseguimos respeitar o vencido, é querer ser servido e não servir. É precisamente este um dos problemas da humanidade, não querer estar sujeito a alguém. A palavra servir, é muitas vezes usada no contexto semântico do “escravo”. Mas aquele que deseja ser livre da opressão, não se importa em ser um “escravo” de Deus, isto é, depender de Deus e ser submisso à Sua vontade.
Estes são claramente os paradoxos da fé cristã, vividos e exemplificados pelo Senhor Jesus, que, como varão perfeito, nos mostrou o verdadeiro caminho a seguir. Por incrÃvel que pareça, é precisamente nas antÃteses do nosso querer que encontramos verdadeira liberdade. Jesus chegou mesmo a dizer: “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” e noutro contexto afirmou categoricamente: “Eu sou o caminho, a verdade, e a vida”.
Estimado leitor, se se sente oprimido pelos deuses que criou para si mesmo, aceite este desafio, e entregue a sua vida a Deus, reconhecendo que só Jesus Cristo deve ser o Senhor dela.
Tags: 1 Samuel, Pecado, Romanos
4 Comentários a “Como Sair da Opressão”
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Fabiana Diz:
13 Outubro 2008 at 21:21Estou me sentindo assim, mas sei que só Jesus pode me libertar.
Peço oração. -
Ana Luiza Diz:
19 Outubro 2008 at 18:36Estou me sentindo assim… mas não tenho mais fé.
É como se não conseguisse mais voltar de onde cair. -
VirgÃlio Barros Diz:
23 Outubro 2008 at 9:26Estimadas leitoras
A opressão é um estado em que nos encontramos por deixarmos que o inimigo das nossas almas domine o nosso ser. No entanto, ainda temos a vontade de clamar a Deus para que nos liberte da opressão. Quando o povo de Israel era escravo no Egipto, clamou a Deus e Deus o ouviu e enviou Moisés. A Palavra de Deus diz: “E disse o Senhor: Tenho visto atentamente a aflição do meu povo, que está no Egipto, e tenho ouvido o seu clamor por causa dos seus exatores, porque conheci as suas dores. Portanto, desci para livrá-lo da mão dos egÃpcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel” (Êxodo 3:7-8). Deus está atento ao nosso clamor. Ele ouve e vem libertar. Dobrai os vossos joelhos e confessai que Jesus Cristo é o Senhor das vossas vidas, e o Senhor na sua boa vontade opera em vós o querer e o efectuar (Filpenses 2:11, 13). Deus vos abençoe. -
Mary Stephanie Suguio Diz:
14 Março 2009 at 8:29Graça e paz amados!A opressão acontece até mesmo com aqueles q estão na presença do Senhor!O inimigo das nossas almas não desiste de nos acusar,e de colocar nossas mentes voltadas para nossos defeitos!Quando queremos algo q Deus nos manda fazer e não conseguimos,por acharmos q somos incapazes,isso tbm é uma forma de opressão!O que devemos fazer é confessar a Palavra de Deus!Pois está escrito que tudo posso Naquele que me fortalece!A opressão,para cristãos é facilmente vencida quando usamos armas espécificas pra situação q vivemos!Confessando a Palavra,com louvores de guerra ,nos revestindo da armadura e nos cobrindo com o Sangue de Jesus!E o mais importante,glorificar o nome do Senhor!
