O Braço-de-Ferro

Por causa do texto bíblico de Efésios 6:12 fiquei parado a reflectir no que acontece connosco em tantas etapas da nossa vida. Comecei a pensar nas desculpas que dou para não estar numa reunião de oração, numa escola dominical, num culto, numa actividade da igreja, e chego à conclusão que a maioria delas diz respeito a questões físicas. É o cansaço; é a indisposição; é a dor física; é aquele irmão ou irmã mal-encarado; é o tipo de sermão; é o estilo de louvor; é o calor; é a cadeira que não é cómoda; é aquele lugar que eu quero e está sempre ocupado por quem não deve; é o salão que é pequeno; é o ar condicionado que não funciona; é a hora dos trabalhos; é uma série de coisas.

Este versículo ensina-me que a minha luta, ou melhor, o meu braço-de-ferro (pálê) não é uma questão física (“não é contra o sangue e a carne”) é contra algo que me faz pensar que estou cansado, que me dói o corpo, que não consigo levantar-me àquela hora, que não tenho roupa, que não há condições, que não há alegria, que não há espírito, etc. Afinal a minha competição não é contra algo visível, mas contra forças invisíveis que procuram dominar o meu cérebro e desviar-me do propósito para o qual Deus me chamou. Neste versículo, essas forças são identificadas como: principados, potestades, príncipes do mundo das trevas e hostes espirituais da maldade. Estes termos não falam de hierarquias de demónios, como alguns pregadores gostam de apresentar, mas falam dos métodos que o diabo usa (ver 6:11 – “ciladas” em grego é methodeías) para criar desunião, inspirar o ódio e a inveja (como nos indica o sentido genérico da palavra grega diábolos). O primeiro método usado é o “principado”, palavra que aponta para o “princípio, fundamento”. Ele instiga em nós “princípios” que nos parecem bons, razoáveis. Chegamos a pensar: “Esta desculpa tem fundamento. Posso apresentar isto porque ninguém vai ser contra. As pessoas não terão outro remédio senão aceitar”. O segundo método é o das “potestades”, palavra que geralmente significa “autoridade”, “liberdade de escolha, direito de agir, decidir ou dispor de qualquer coisa que se deseja”. O diabo coloca na nossa mente a ideia de que temos liberdade de escolher e decidir segundo a nossa vontade. O que esquecemos é que esta autoridade pertence exclusivamente ao Senhor (Mat. 28:18; Apoc. 12:10). O terceiro método é o do “príncipe do mundo”, palavra que denota a ideia de “ser forte no mundo” (kosmos + krátos), isto significa que na nossa mente trabalha o pensamento de querermos ser tratados como pessoas importantes. Mas não podemos esquecer que estas pessoas que assim pensam estão em trevas. O nosso inimigo não brinca. Começando como um princípio, ele chega ao ponto que desejava: derrubar o nosso braço sobre a mesa. O quarto método é instigar o espírito da maldade. A palavra para “maldade” (ponêrós) aponta para a qualidade adquirida já em todo o sentido ético que se desenvolve na nossa mente. A pessoa começa a adquirir este estado, tornando-se um vício. Conclusão, este braço-de-ferro dá-se a um nível espiritual, não é uma coisa física.

Como vencer este braço-de-ferro? Vi um programa sobre a preparação de Naide Gomes para os jogos olímpicos. Ela explicou meticulosamente o que acontece quando faz aquela corrida de poucos metros para depois dar o salto e atingir o alvo, e como precisa de se preparar física e mentalmente para a disputa, para a luta. Muita preparação é física, mas a preparação mental é muito importante e talvez o maior braço-de-ferro que ela terá de enfrentar. Ele não pode ficar a pensar que as condições que tem são inferiores às das outras atletas, nem pensar que é melhor que as outras. Apenas precisa de se concentrar no alvo. Na nossa vida espiritual, para vencermos este braço-de-ferro é preciso revestir-nos com a armadura de Deus. No mundo invisível que nos rodeia paira um espírito, uma mentalidade que nos quer vencer e fazer acreditar que os nossos inimigos são visíveis e estão no que é físico, mas a palavra de Deus ensina-nos o contrário. Você está preparado para vencer este braço-de-ferro?

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