Ética da Sociedade vs Ética Moral

Queridos irmãos, foi-me solicitado, através de uma jovem pertencente à JECA, o privilégio de poder escrever para esta edição do Jecascópio. Sendo esta a primeira vez que o faço, desejo que entendam, da melhor forma, que a minha intenção não é ensinar, mas sim corresponder à necessidade; que é fazer deste pequeno jornal, uma lúcida realidade daquilo que esta igreja pretende – “A Fé em Jesus Cristo”.
Proponho-me então a escrever aquilo que tenho aprendido nestes tempos aqui na igreja, escolhendo como tema A Ética, relacionando-a com a sociedade em que todos estamos inseridos e a Ética Moral Religiosa.

I Parte – Definição da Ética e onde se insere

Partindo do princípio que a Ética é um conjunto de normas e leis que orientam o comportamento e a vivência do ser humano na sociedade, teremos que conjugar dois factores: a ética na sociedade e a ética no ensino religioso.
O ser humano, desde os tempos mais remotos, sentiu necessidade de inserir no seu quotidiano um conjunto de normas e leis que o permitissem viver de uma forma coerente e prática uns com os outros. Contudo, estes princípios têm sofrido continuas alterações através do tempo.
Se tivermos em conta a maneira como os primeiros reinados faziam prevalecer as suas leis, através da força e do poder (por vezes classificados como bárbaros), podemos constatar que o actual mundo, baseado essencialmente e maioritariamente na democracia é “à primeira vista” muito diferente.

II Parte – Relação e diferenças entre a ética religiosa e a ética na sociedade

Na ética religiosa existem diversas leis e normas que se adaptam a diferentes crenças. Por isso, vou citar aqui a ética do Cristianismo – que é somente aquela em que a nossa igreja construiu o seu sólido alicerce.
Foi a partir do momento em que Deus decidiu tirar o povo de Israel da escravidão na terra do Egipto, que se instituiu a primeira lei. Após ter retirado, através da Sua Omnipotente mão, o povo de Israel da dura servidão a que estavam sujeitos, Deus apresenta-se ao seu povo (Êx 20:3-17). Contudo, algumas dessas leis não foram interpretadas da melhor maneira. É com o aparecimento de Jesus e com as suas consequentes obras e pregações que algumas leis, que até ali mal assimiladas e praticadas, foram esclarecidas. O que causou consternação a alguns escribas e sábios da época (Mt 12:9-13), o que fez com que guardassem rancor a Jesus e o acusassem de blasfémia.
Na sociedade dos nossos dias, verificamos que cada Estado ou País faz reger as suas leis conforme o regime político que vigora. Nos Estados, maioritariamente, compostos pela democracia existe uma constituição que dita as leis que todo o cidadão deve praticar e cumprir. Contudo, essas leis são revistas e alteradas por entidades competentes, assim que entendam necessidade para tal.

Consequências após violar as Leis

Apos o momento em que o individuo dentro da sociedade decide violar a lei, ou seja, desrespeitá-la, fica sujeito a penas que sejam aplicadas pelas autoridades destinadas. Quer isto dizer que o indivíduo sujeita-se a ser acusado e a sofrer as consequentes penas. Poderá ser autuado, preso ou mesmo condenado à morte (como em alguns países).
No aspecto religioso, neste caso, no Cristianismo, verifica-se que muitas vezes são desrespeitadas as leis instituídas por Deus. Este acto denomina-se por pecado. Desde a criação da terra, que o Homem tem desobedecido a Deus (Gén 3). Podemos dizer que o pecado é a interrupção da relação do ser humanos com Deus e com os outros irmãos na fé e que o único salário, ou seja, consequência é a morte (Rom 6:23). Para quem não conhece o Evangelho, esta afirmação “o salário do pecado é a morte”, suscita muitas dúvidas. Mas para nós cristão, que depositamos a nossa esperança na salvação por Jesus Cristo e na prometida Vida Eterna, este termo é esclarecido e desde logo sabemos que se refere à morte eterna.

III Parte – Problemas da Ética (para reflectir)

Podemos constatar que existem muitas leis sociais relacionadas com os princípios religiosos, mas também existem algumas normas que em nada se podem assemelhar aos princípios morais religiosos.
Quando no início deste artigo falei sobre como os antigos reinados faziam prevalecer as suas leis, utilizando a força de maneira muito cruel, referia-me também à democracia (que é praticada actualmente pela maior parte dos países) que “à primeira vista é muito diferente”. “Primeira vista”, porquê? Há pouco tempo ouvi uma notícia na rádio que me deixou a reflectir e que se tratava do seguinte: uma associação contra a fome (F.U.A.) realizou um estudo sobre a fome e concluiu que a cada ano que passa há mais de cinco milhões de famintos na Terra e, portanto, necessitavam de uma verba para tentar suprimir, a curto prazo, parte desta dura realidade. Após uma reunião, esta instituição deixou um apelo aos países capitalistas que fazem parte da ONU, para que estes se disponibilizassem a contribuir para angariar fundos monetários. Depois de ouvir esta notícia, pensei logo na guerra e no seguinte: talvez os países capitalistas chegassem mais depressa a um acordo para disponibilizar meios para o flagelo da guerra do que contribuírem para suprimir, a curto prazo, a causa da fome… afinal, a causa da fome é a guerra e os interesses políticos.
Reflecti neste assunto e lembrei-me de uns excertos que li à pouco e que são da autoria de Fernanda Esteves, na sua obra Dança da Reflexão: “os seres caminham sobre os raios de sol […] na espera de ver gestos que organizem um mundo diferente; em que o ser humano entre os seres humanos deixe de ser tão pouco […] humanos afirmando ser, negam o ser, esquecendo que para ser é preciso todos os dias renascer…!”.

(falta texto)

Ricardo Pereira



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