Preparados para a Páscoa

“Assim, pois, o comereis: os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a Páscoa do Senhor”
(Êxodo 12:11)

De acordo com o inquérito feito pelo Metro Life Panel, 49% dos inquiridos vão celebrar o domingo de Páscoa em casa com a família, 29% aproveitarão para descansar e estar com os amigos, 12% vão gozar férias e apenas 10% vão cumprir os ritos religiosos. A Páscoa já é uma tradição sem significado religioso e apenas social, onde nas mesas não faltam os tradicionais cordeiros ou cabritos, o pão-de-ló, as amêndoas, os ovos e os coelhos de chocolate e os folares.
Ainda que certas práticas estivessem relacionadas com a vida nómada dos povos na antiguidade, o povo israelita viveu uma experiência inolvidável com o Deus vivo e verdadeiro, e que o marcou para sempre na sua vida religiosa e espiritual. Depois de passarem cerca de 400 anos no Egipto, como escravos, o povo ansiava a libertação e a realização de certos ritos tradicionais ao Deus que se comunicava com ele, em plena liberdade. No entanto, tiveram de realizar estes rituais ainda debaixo da servidão a faraó. Porém, isso não os inibiu. Sob as orientações dadas por Deus através de Moisés, o povo iniciaria um novo ano comendo o cordeiro assado juntamente com o pão ázimo (não levedado). Assim se celebrou a primeira Páscoa do Senhor. É interessante notar que o escritor bíblico refere constantemente que a Páscoa é do Senhor. A palavra hebraica, “pesah” está associada ao próprio verbo hebraico que se traduz por “passar sobre”. É por isso que o autor joga com as palavras em 12:27, em que a palavra para “Páscoa” e para “passar” tem a mesma grafia (jsP). O Senhor Deus iria passar sobre aquela zona e o povo iria experimentar a libertação porque as suas casas estavam pintadas com o sangue do cordeiro. Contudo, é importante lembrar que esta passagem de Deus pelas casas dos filhos de Israel exigia uma preparação da parte do povo: lombos cingidos, sapatos nos pés e cajado na mão. São três gestos, ou atitudes, ou actos fundamentais para quem iria começar uma nova vida de comunhão com Deus, enquanto atravessava um deserto em direcção à terra prometida.
Em primeiro lugar, a preparação implicava decisão. O cingir dos lombos significava que uma pessoa prendia as vestes de modo a não se embaraçar nelas quando precisasse de correr. Por outras palavras, Deus estava a dizer ao seu povo que devia estar pronto para partir. Em breve haveria acção e eles deveriam estar preparados. Eles têm de decidir se querem partir para um novo começo ou não. Deus também quer continuar a agir no nosso meio, a questão é se estamos realmente prontos e decididos para aceitar a sua acção nas nossas vidas.
Em segundo lugar, a preparação implicava protecção. De uma forma geral a protecção para os pés não era necessária dentro de casa, pelo que as pessoas deviam tirar as sandálias ou sapatos à entrada de casa, pois estes estavam sujos. Inclusive quando se tirava o calçado dos pés mostrava-se respeito pelo local, como aconteceu com Moisés no monte, diante de sarça-ardente. Mas quem ia fazer uma caminhada precisava de protecção nos pés para o frio e a humidade durante o Inverno ou para a areia quente durante o Verão, e mesmo por causa das pedras afiadas que encontrariam no caminho. Hoje precisamos de calçar o evangelho da paz se queremos estar preparados para a celebração da verdadeira Páscoa.
Em terceiro lugar, a preparação implicava coadjuvação. O cajado na mão significava um instrumento fundamental de ajuda para vencer os obstáculos ou os inimigos. O cajado de Moisés foi fundamental da realização de certos milagres perante faraó e os seus mágicos. Muitas vezes o cajado simbolizou a presença de Deus no meio do seu povo. O uso do cajado fez desobstruir os obstáculos que se deparavam ao povo na sua caminhada para a terra prometida. O salmista dizia: “a tua vara e o teu cajado me consolam” (Sl 23:4). Havia um sentimento de segurança e de serenidade pela certeza de que Deus estava presente para ajudar nas situações mais difíceis.
O povo iria experimentar uma nova vida mas ainda a alcançar. Portanto era necessário que a celebração da Páscoa fosse uma verdadeira preparação para a vida que se espera alcançar enquanto peregrinamos aqui nesta terra. A certeza de que esta vida plena é já um bem adquirido manifesta-se naquilo que Jesus Cristo fez por nós. Cabe-nos a nós, porém, estarmos preparados para esse acto de libertação que Cristo quer operar nas nossas vidas. Deus espera pela tua decisão; está pronto para te dar a devida protecção; e quer dar-te a coadjuvação que tu precisas. Aceita-O nesta Páscoa e começa uma nova vida de comunhão com Ele.



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