Efeitos da Leitura
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
Entrar numa livraria como a Fnac ou Bertrand é entrar num mundo. Para uns, será um mundo maravilhoso, para outros, o mundo das dores de cabeça. São aos milhares os livros engastados, quais pedras preciosas, nas paredes forradas a tábuas de madeira devidamente organizadas em espaços simétricos. Pequenos e grandes, altos e baixos, gordos e magros, velhos e novos, eles constituem uma autêntica galáxia sideral.
Diz-se que hoje não existe uma cultura da leitura, porque as pessoas preferem o mediatismo dos programas televisivos. Preferem a fofoquice da Teresa Guilherme, a “espectacularidade” do Artur Albarran, ou as “bocas” do Herman José. Preferem entrar na privacidade, ou na achincalhação dos outros, sem saberem até porquê. E assim se vai construindo a cultura da boçalidade. Também é possível que as “resmas” de livros existentes tenham criado o espírito de indiferença e de agonia no que respeita à leitura. É possível que a publicação de tudo e mais alguma coisa tenha criado o espírito de repulsa para a leitura. Contudo, continuo a acreditar que a leitura de um livro leva-nos a um mundo do imaginário, desenvolve a nossa capacidade criativa, alarga os nossos horizontes no pensamento, aprofunda a nossa capacidade de raciocínio e argumentação e ajuda-nos a solidificar os nossos princípios e valores.
Há uns bons séculos atrás, um líder do povo judeu, chamado Josué, foi desafiado por Deus a praticar a leitura constantemente. Numa época em que rareavam os livros, havia sempre uma motivação para se ler. Deus incentivou desta forma: “Não se aparte da tua boca o livro desta lei; antes, medita nele, dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer conforme a tudo quanto nele está escrito; porque, então, farás prosperar o teu caminho, e, então, prudentemente te conduzirás” (Josué 1:8).
A leitura exige meditação. O livro que Josué devia ler não era o código penal, mas a Tora (=lei). Esta palavra hebraica significa “instrução” e compreende os cinco primeiros livros da Bíblia. O seu significado, porém, vai para além da mera instrução, pois ela apresenta um Deus que age e comunica com o ser humano, estabelecendo uma relação pactual. Nesta obra literária, o ser humano encontra o conteúdo de uma relação profunda entre Deus e o ser humano. É nela que encontramos ideias e valores consequentes dessa relação. Se um romance qualquer nos fala dos problemas existenciais do ser humano na sua relação com o mundo e com os outros, a Tora mostra-nos esses mesmos problemas, mas ao mesmo tempo a solução que se encontra num Deus que estabeleceu um pacto de amor e capaz de nos conduzir a bom porto. O que é preciso fazer é meditar constantemente neste livro que revela Deus na sua acção.
A leitura estabelece orientações. É evidente que há muita leitura que desvia o ser humano do padrão criado por Deus. No entanto, a meditação ajuda-nos a ter cuidado. É necessário reflectir cuidadosamente naquilo que lemos. A reflexão ajuda-nos a peneirar o que pode e o que não deve ser ingerido. As nossas acções dependem muito da forma como meditamos no texto que lemos. Uma absorção de ideias sem reflexão pode levar-nos a práticas hediondas. A nossa vida será diferente quando finalmente deixamos que a Palavra de Deus tranforme o nosso ser e passamos a viver uma relação pactual com Deus. A leitura da Tora produziria segurança e prudência na vida de Josué.
É por isso que não devemos rejeitar a leitura de livros, especialmente a leitura da Bíblia, porque através dela os nossos hrizontes se alargarão e teremos mais segurança e convicção no melhor da vida que Deus tem para nós. Este é o desafio que deixamos para este mês: “Dedique-se à leitura, especialmente da Bíblia”.
Pastor Virgílio Barros
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