Entrar numa livraria como a Fnac ou Bertrand é entrar num mundo. Para uns, será um mundo maravilhoso, para outros, o mundo das dores de cabeça. São aos milhares os livros engastados, quais pedras preciosas, nas paredes forradas a tábuas de madeira devidamente organizadas em espaços simétricos. Pequenos e grandes, altos e baixos, gordos e magros, velhos e novos, eles constituem uma autêntica galáxia sideral.
Diz-se que hoje não existe uma cultura da leitura, porque as pessoas preferem o mediatismo dos programas televisivos. Preferem a fofoquice da Teresa Guilherme, a “espectacularidade” do Artur Albarran, ou as “bocas” do Herman José. Preferem entrar na privacidade, ou na achincalhação dos outros, sem saberem até porquê. E assim se vai construindo a cultura da boçalidade. Também é possível que as “resmas” de livros existentes tenham criado o espírito de indiferença e de agonia no que respeita à leitura.
