Mensagens das Novelas
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
Durante o meu período de férias, dediquei-me a um trabalho mais físico em que, ao fim do dia, sentia o corpo moído e desejoso de se estatelar no sofá e de ficar hipnotizado a olhar para a televisão. Àquele horário nobre só há telenovelas em quase todos os canais, excepto no canal 2, evidentemente. Contudo, deixei-me levar pelo desejo de conhecer um pouco as nossas telenovelas portuguesas. E foi assim que me adaptei ao “sistema” e comecei a ver “Tempo de Viver”. Entre enredos de vivências supérfluas, cheias de cobiça, de enganos, de tramóias, existem aquelas personagens que dão “aparência” de honestidade, bondade, virtude, mas na realidade são tão imorais como os outros vilões.
O autor desta telenovela é Rui Vilhena, que chegou a Portugal há 12 anos, do Brasil, para trabalhar como guionista. E, segundo as suas palavras, na entrevista que deu ao Jornal da Região Almada, ele gosta de ter sempre em consideração a opinião do público. Parece que as pessoas vão participando através de e-mails, cartas, telefonemas e abordagens pessoais a fim de influenciarem o final da história. Ele afirma também que o público gosta de vilões, que demonstra simpatia pelos homossexuais e que, em “Tempo de Viver”, o casal que desperta mais curiosidade é o que pratica swing. Parece que esta temática é amplamente abordada na telenovela. Confesso a minha ignorância do assunto, pois a princípio aquele casal apresentava-se como o único que se aproveitava de toda a novela. Era um casal feliz, que sai todas as sextas-feiras, deixando os filhos com um casal amigo, para poderem ir e fortalecer mais a sua união. Até que me agradava a descrição. Por fim, vim a saber que o swing era uma prática de troca de mulheres. Vários casais reúnem-se numa casa e ali trocam de mulher para praticarem sexo. Diz-se que esta prática fortalece o relacionamento do casal e faz com que se amem mais um ao outro. A telenovela vai apresentando comentários tais como: o swing ainda é tabu, as pessoas são mesquinhas, elas não compreendem, as pessoas são livres para fazerem o que querem.
Pois é. Eu sou claramente uma das pessoas que não compreende, mas não sou mesquinho. E continuo a defender que a vida sexual é algo muito sagrado para que se banalize a este ponto. Eu chego a concluir que as pessoas estão a enganar-se a si próprias. Na realidade, elas vivem frustração no seu relacionamento conjugal, por isso precisam de novas experiências para colmatarem o vazio que vai no seu íntimo. Por outro lado, não se dão conta de que estão a usar as suas mulheres ou os seus homens como objectos de troca. Isto não será uma falta de respeito pela pessoa a quem dizemos que amamos?
Os ensinos bíblicos, que considero princípios divinos para o relacionamento do ser humano, continuam a ser os mais eficazes para o fortalecimento de um casal e o aprofundamento das suas relações. A Bíblia diz: “Deixará o varão seu pai e sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão os dois uma só carne” (Efésios 5:31). E, uns versículos antes, diz: “do mesmo modo, os homens devem amar as suas mulheres como ao seu próprio corpo” (5:28). Eu não consigo imaginar as pessoas arrancarem uma unha do dedo e trocarem com a de outra pessoa, sem sentirem uma grande dor. Ninguém trocaria a sua perna pela de outrem por simples prazer, só para experimentar se é bom ou para saber como usar melhor a sua. O desmembramento de qualquer parte do nosso corpo provocaria muito sofrimento. Da mesma forma qualquer casal que verdadeiramente se ama sofreria imenso quando se despegasse para uma simples troca ainda que momentânea.
Não acredito que, neste momento, o público português seja favorável a este tipo de imoralidade. Mas acredito que este tipo de mensagens, visto por mentes mais jovens que ainda não estão devidamente formadas, acabe por ser aceite. A Bíblia ensina-nos que devemos examinar tudo e reter o bem, mas para que isto possa acontecer é necessário atingir uma determinada estatura ou maturidade que nos ajude a saber distinguir o bem do mal. Cabe-nos a nós, homens e mulheres cristãos, saber acompanhar os nossos filhos naquilo que vêem para os instruir devidamente e com discernimento. Para que isto aconteça é preciso sermos bons leitores da palavra de Deus, enchendo a nossa mente de forma racional e espiritual com os verdadeiros ensinos de Cristo. Caso contrário corremos o risco de achar bem o que está mal e achar mal o que é bom, de trocarmos o certo pelo errado e o errado pelo certo.
