Acabem com os Feriados Religiosos

Já não faz sentido que, numa sociedade que se diz laica e é governada por laicos, ainda se promovam e promulguem feriados que nada dizem às pessoas. Os portugueses deviam ser coerentes com as suas posições no que concerne à religião. O governo deveria tomar uma atitude condizente com a sua filosofia laica. Os religiosos também deviam ser coerentes e fazer um manifesto contra a calendarização destes feriados.

Considero uma verdadeira imoralidade que, em épocas tão importantes para quem é cristão, as pessoas estejam mais preocupadas com viagens, aluguer de quartos em hotéis, dinheiro e outros afins. Neste fim de semana, onde se realça a importância da reflexão sobre o fundamento do Cristianismo, a morte e ressurreição de Jesus Cristo, onde deveria haver mais contensão, mais preocupação com o espírito do que com o físico, uma vez que a situação espiritual é fundamental para o bem estar do físico, as pessoas partem todas em viagens para o gozo de umas mini-férias. Fala-se tanto em dificuldades financeiras e sociais, mas as estradas ficam cheias, para norte e sul, de automóveis que se enfileiram durante horas até chegarem ao seu destino, mesmo com o petróleo a subir.

É um absurdo saber que, logo pela Quinta-feira, mais de uma centena de deputados à assembleia da República, os defensores e representantes do povo, dão em debandada após a assinatura na folha de presenças. Será que eles tinham algum trabalho espiritual? Sim, porque eu considero que esta seria a única preocupação nobre que justificaria uma saída do parlamento. Não creio que as pessoas tenham partido para um convento ou eremitério afim de reflectir sobre a importância da morte de Jesus Cristo. Elas apenas pensam em gozar umas férias à custa de um feriado que só diz respeito a quem é verdadeiramente cristão. Elas não estão preocupadas em reflectir sobre o sacrifício de Cristo na cruz, apenas pensam no seu “sacrifício” no trabalho e que por isso precisam de folgar. Elas não vão participar numa eucaristia, comer o pão como símbolo do corpo de Cristo, nem beber do cálice como símbolo do sangue de Cristo vertido na cruz. Elas vão comer o folar, tenha o significado que tiver, beber álcool até não conseguirem levar o copo à boca, comer as amêndoas, os coelhinhos e os ovos. O que importa é o folguedo.

Chega! Chega de hipocrisia! O que me revolta ainda mais é que até os cristãos, que deviam aproveitar esta época para dar testemunho do evento mais importante na história da humanidade, o evento que mais esperança e certeza traz para as pessoas, também se encaixam neste padrão secular. Já não se fazem actividades especiais pelas igrejas, porque cada vez mais as pessoas não comparecem, estão ausentes. Já não há cultos especiais que cativem. E fazer cultos alusivos ao acontecimento toda a semana, nem pensar! O pensamento está no dia de quinta-feira, porque, no outro dia, a nossa prioridade está algures onde está o nosso coração. Jesus já dizia: “Aonde estiver o vosso coração aí estará o vosso tesouro”. Escudamo-nos atrás do cansaço físico, da necessidade de estar com a família, de dar mais atenção à mulher, ao marido e aos filhos. Erguemos a bandeira do stress que adquirimos durante o tempo de trabalho, e de tantos outros escudos que não têm qualquer valor diante de Cristo o Senhor, para justificar a nossa debandada para outras paragens. Já não há aquele prazer de nos juntarmos para dar a notícia de que “Jesus ressuscitou. Ele encontrou-se comigo. Eu sei que ele está vivo”.



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