À Procura de Refúgio

“Então David se retirou dali, e se escapou para a caverna de Adulam: e ouviram-no seus irmãos e toda a casa de seu pai, e desceram ali para ele. E ajuntou-se a ele todo o homem que se achava em aperto, e todo o homem endividado, e todo o homem de espírito desgostoso, e ele se fez chefe deles: e eram com ele uns quatrocentos homens.” (1 Samuel 22:1-2)À Procura de Refúgio

A comunicação social tem espalhado o terror, o medo e a apreensão entre as pessoas com a constante notícia da gripe das aves. O vírus H5N1 tem furado fronteiras e calcorreado vias que, à partida, estariam fortemente protegidas. Mas até países como a Suíça já foram atingidos com esta ameaça. Em breve a ponta ocidental da Europa será atingida e, quem sabe, este minúsculo ser atravessará a “nado” o Oceano Atlântico e chegará às Américas. Maior problema do que este é a mortandade que as guerras vão provocando em tantos países pelo nosso globo fora, fazendo com que milhares de pessoas (homens, mulheres, jovens e crianças) corram desesperadamente em direcção a hipotéticos refúgios. Em todas as épocas e em todas as gerações deparámo-nos com situações de aperto e a necessidade de encontrar um refúgio. A questão que se coloca é: Para onde fugir?

O texto bíblico transcrito acima insere-se no contexto da fuga de David por causa do rei Saúl que o queria matar, devido à inveja que tinha dele. David fora um simples pastor de ovelhas, que Saúl convidara para ser seu pajem de armas e para tocar harpa para ele, quando se sentisse atormentado. Mas David tornara-se, também, um excelente guerreiro, a ponto de as mulheres criarem um refrão que dizia: Saúl feriu os seus milhares, porém David os seus dez milhares. Saúl permitiu que a inveja se apoderasse do seu coração e não descansava enquanto não matasse David.

Por esta razão, David teve que procurar um local de refúgio, onde pudesse estar novamente com a sua família em paz e segurança. O local que ele encontrou foi uma caverna na cidade de Adulam. O nome desta cidade significa precisamente “retiro, refúgio”. Desde o tempo dos patriarcas que esta cidade tem sido conhecida como uma cidade de refúgio. Durante o reinado de Reoboão ela foi fortificada, para fazer parte de uma série de cidades fortificadas que formavam uma linha de defesa contra possíveis invasões do ocidente e do sul. Esta cidade foi importante para David, porque era o único local que o podia proteger da perseguição de Saúl. É neste refúgio que ele também reúne a sua família, que, devido às circunstâncias da vida, estava desmembrada. Naquela caverna, David voltou a experimentar a alegria da família unida. Pelos mais diversos motivos há pessoas que andam em fuga constante, perdendo a paz, a segurança e a alegria de estar com a família. Mas se encontrarem um local de refúgio, terão a possibilidade de recuperar tudo aquilo que perderam até agora.

Depois de ter encontrado o lugar que precisava para voltar a ter ânimo em viver, David passou a ser um elemento de encorajamento para outros. Muitas pessoas viram em David aquilo que elas precisavam também. Pessoas que viviam em aflição, provavelmente obrigadas a trabalharem desmesuradamente, precisavam de encontrar alguém que lhes desse uma nova perspectiva de vida, que as libertasse da opressão, da escravidão humana. Samuel havia advertido o povo sobre o que lhes aconteceria, caso elegessem um rei: “vós lhe servireis de criados” (1 Sam. 8:17). Saúl, devido ao seu estado de espírito, deve ter criado muitas dificuldades a este povo. Por outro lado, estas pessoas estavam endividadas. Os impostos eram muitos e as necessidades enormes. O dinheiro não chegava para nada, as pessoas pediam emprestado e cada vez se enterravam mais. Elas queriam ver-se livres das dívidas. E por fim, perante todas estas dificuldades, elas estavam desanimadas com a vida. Já não sabiam o que fazer. Por isso, olharam para David como um chefe capaz de os livrar de todas estas situações.

No entanto, é o próprio David que escreve num dos seus salmos: “O Senhor será, também, um alto refúgio para o oprimido; um alto refúgio em tempos de angústia” Salmo 9:9). Verdadeiramente, só Deus pode ser o nosso refúgio em tempos de aflição e desgosto. Para isso temos que o invocar e confessar como David fez: “Inclina para mim os teus ouvidos, livra-me depressa; sê a minha firme rocha, uma casa fortíssima que me salve. Porque tu és a minha rocha e a minha fortaleza; pelo que, por amor do teu nome, guia-me e encaminha-me. Tira-me da rede que para mim esconderam, pois tu és a minha força. Nas tuas mãos encomendo o meu espírito: tu me remiste, Senhor, Deus da verdade” (Salmo 31:2-5).

Virgílio Barros



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