Crescimento Total

“Falando a verdade em amor, cresçamos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo”
(Ef. 4:15)

O estado de crise que se viveu em 2004, natural, social, económica e politicamente, trouxe à nossa consciência a necessidade de enveredarmos por um caminho que nos garantisse o crescimento completo.
Quase que podemos dizer também que o ano de 2004 foi um ano de crise e sofrimento para a vida da igreja, em termos espirituais, pese, no entanto, as vitórias que muitos alcançaram. Certamente todos nós estamos conscientes que o sofrimento também faz parte do nosso crescimento. Faz-me lembrar o que acontece quando alguém vê uma borboleta a sair do seu casulo com tanto sofrimento e procura ajudar a borboleta abrindo o casulo. Qual não é o seu espanto ao ver que a borboleta acaba por nascer sem as suas multi-cores tão maravilhosas. Afinal o processo de sofrimento e trabalhos que a borboleta passa são imprescindíveis para a formação de um colorido que alegra a natureza. Do mesmo modo, a igreja também passa pelos seus momentos de sofrimento para que possa ver o resultado final com as cores da glória de Deus.
No texto bíblico que lançamos como desafio para este ano de 2005 encontramos pelo menos três directrizes fundamentais para que o nosso crescimento espiritual seja notório na sua soma e não nas suas parcelas. Até porque o crescimento total é um resultado e não uma meta. Ainda que uma meta seja importante para o planeamento, para a motivação e para a avaliação, não deve ser o resultado final. Precisamos de seguir uma metodologia que nos faça crescer de forma sadia.
A primeira directriz a ter em conta é a questão de se falar a verdade em amor. Precisamos de falar a verdade com Deus sobre nos próprios. Não podemos tentar esconder de Deus coisas que fazemos contrárias à sua vontade, porque isso é impossível. Na zona mais recôndita da nossa alma Deus penetra e sabe o que se passa. Se fizermos isto connosco, então teremos a garantia de que podemos falar a verdade aos outros em amor. Desta forma estamos a contribuir para o crescimento total da nossa igreja. Temos que ser capazes de dizer aquilo que é errado aos olhos do Senhor, mas com amor de modo a resgatar o nosso irmãos das garras do pecado.
A segunda directriz diz respeito ao alvo para o qual nos dirigimos. Eu prefiro a tradução “para aquele…” em vez de “naquele…”. A preposição “para” dá-nos a ideia de direcção. É por isso que o crescimento não termina com o alcançar de uma meta. A meta é apenas uma etapa, enquanto que o crescimento total mostra-nos que ainda não chegamos lá, mas continuamos com os nossos olhos fixos em Cristo. Ele é a cabeça da igreja, estando muito acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas. Chegar até ele é crescer na totalidade.
A terceira directriz tem a ver com todas as áreas da nossa vida. A palavra “tudo” é tão ampla que às vezes não pensamos em tudo aquilo que ela implica. Agora mesmo corremos o risco de não mencionar todas as coisas que dizem respeito à nossa vida. Mas, certamente, podemos pensar que ela implica o nosso crescimento físico, mental e espiritual. Para estas três áreas gostaria de usar uma palavra que é fundamental no crescimento, que é mordomia. Temos que saber gerir muito bem o tempo que dedicamos à comunhão com Deus. Sejamos mordomos integrais no tempo que passamos com Deus, sozinhos e em comunhão com os nossos irmãos. Temos que ser mordomos também do nosso crescimento mental. O estudo da palavra de Deus assim como de outras matérias é fundamental para o nosso equilíbrio mental. Finalmente aquilo que diz respeito ao que é material. Pensamos em primeiro lugar na necessidade de sermos bons mordomos nos bens materiais. Sabemos que os tempos que se avizinham não serão fáceis em termos económicos. Daí que precisemos de controlar muito bem o dinheiro que Deus nos dá não o gastando em devaneios fúteis, devido às pressões de uma sociedade consumista. A utilização dos nossos recursos na obra de Deus trará maiores benefícios para a nossa igreja que é o corpo de Cristo.

Virgílio Barros

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