Novidade! Novidade! Só no…
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
Talvez seja um vírus que nos ataca de modo a afectar o nosso sistema nervoso central para nos fazer correr atrás de novidades que, às vezes, resultam em desgraça, frustração, angústia e morte.
Na antiguidade havia uma cidade na Grécia que era considerada a cidade universitária mais famosa, a ponto de Fílon de Alexandria considerar que os atenienses eram os gregos mais inteligentes. Na realidade, estes viviam constantemente ansiosos por discutir questões religiosas e filosóficas, esperando ouvir algo de novo no discurso de alguém que se apresentasse na ágora (praça pública). Contudo, isso não os satisfazia plenamente, pois Apolónio descreve que eles procuravam também satisfazer-se com embalos lascivos no festival a Dionísio e até na matança humana nos jogos dos gladiadores.
De entre as filosofias discutidas na Ágora e no Areópago havia o estoicismo e o epicurismo. Zenão, o fundador da primeira, costumava estar na stoa (espécie de pórtico pintado) a falar dos seus ideais morais. A sua novidade era que o lugar do ser humano no universo não estava determinado por um destino cego, mas sim pautado pela Razão Divina. E que a alma, chispa divina da Razão, aprisionada no corpo, só conseguia a tranquilidade no meio de uma vida cheia de apuros quando se elevava acima dessas situações. Outra novidade apresentada naqueles espaços era a desenvolvida por Epicuro. Nesta filosofia dava-se ênfase aos acasos e desclassificava-se os desígnios. O fim principal da vida é a felicidade e para isso a pessoa deve libertar-se não só do medo dos deuses como também do medo dos homens, do sofrimento e da morte. Como o universo, o ser humano é constituído apenas por átomos e que, quando o corpo morre, a sua constituição de átomos deixa de existir. Por isso não existe vida eterna.
O historiador Lucas relatou, no Livro de Actos, em 17:15-32, o episódio de um jovem chamado Paulo, conhecedor destas e outras filosofias, que aproveitou a ocasião para apresentar a mensagem que transformara completamente a sua vida. Jamais ele tinha encontrado algo tão importante na sua vida de estudante, e aos pés de grandes mestres. Ele ouvira falar de um galileu chamado Jesus que ensinava algo de novo, que fora morto ainda muito jovem, mas que os seus seguidores anunciavam que ele estava vivo. Paulo participou na condenação à morte de um homem chamado Estêvão, que também anunciava que aquele Jesus estava vivo porque ressuscitara. Um dia, Paulo teve um encontro com esse Jesus quando se dirigia para Damasco afim de prender mais cristãos. Este acontecimento na sua vida transformou todos os seus conceitos filosóficos e religiosos. Afinal, Jesus estava mesmo vivo. Havia vida depois da morte. A ressurreição era uma realidade e não apenas um conceito.
As pessoas ficaram entusiasmadas com a novidade que Paulo trazia a Atenas e perguntaram: “Poderemos saber que nova doutrina é essa que ensinas? Posto que nos trazes aos ouvidos coisas estranhas, queremos saber que vem a ser isso.” Então Paulo disse que a divindade não era semelhante nem ao ouro, nem à prata, nem à pedra trabalhados pela arte e imaginação do homem e que Deus, não tendo em conta os tempo da ignorância, quer agora que os homens se arrependam em todo o lugar, “porque estabeleceu um dia em que há-de julgar o mundo com justiça por meio de um varão que destinou e acreditou diante de todos, ressuscitando-o dentre os mortos”. Paulo estava a falar de Jesus Cristo.
Ainda hoje, quando temos um encontro pessoal com Jesus Cristo temos a consciência de que a ressurreição é uma realidade e que ela nos coloca numa posição em que temos de fazer uma escolha: não permitir que as novidades deste mundo sejam os nossos deuses, e fazer de Jesus a nossa novidade de vida. Ele morreu pelos nossos pecados, isto é, por culpa nossa, e ressuscitou para nos garantir a esperança no meio de um mundo tão conturbado e conflituoso.
Virgílio Barros
