Até onde somos capazes de ir?

Certo dia, um homem caminhava pela sua pacata rua, pensando o que iria fazer nesse dia.
Era um daqueles dias chuvosos, deprimentes, que nos dão vontade de ficar em casa, sós, sentados a olhar para o vazio que existe à nossa volta. Era um homem só, muitas vezes desanimado com ele mesmo, sem ter (muitas das vezes) rédeas… à sua volta, naquela rua isolada, só existiam árvores secas, todas encolhidas como se estivessem despidas, a sentir o frio no seu casco. E ali andava ele, só. Ao longe viu um vulto, alguém que, como ele, caminhava só na vida. Quanto mais andava, mais aquele vulto se tornava maior.
Não conseguia distingui-lo… estava muito vento e ele não conseguia olhar com nitidez aquele ponto negro, longínquo, que se tornava agora uma missão, ser alcançado. As ideias vagueavam dentro da sua mente. Já não eram sobre si mas sobre umas possíveis respostas a uma única duvida, o ponto negro. A força do vento era cada vez maior, começou a chover cada vez mais forte e as forças já lhe faltavam. Abrigou-se. O quente do seu abrigo relaxou todos os seus músculos. Ele sentia-se bem, quente, protegido. Mas não desistia de chegar àquele ponto. Era indefinível, a sua forma. Algo difícil de explicar…. A forma… poderia ser tudo o que a sua imaginação lhe configurasse. O temporal estava difícil de ser encarado. Sentou-se a um canto e descansou. Adormeceu. Esquecera-se do seu estimulo de aventura, aquele ponto indefinível, ao longe do seu horizonte.
Depois de um bom período de descanso, ele acordou. A chuva parava, de tempo a tempo… decidiu sair do seu abrigo. Algumas pessoas já circulavam pelas ruas. Ele não sabia onde estava. Procurou ajuda. Para onde iria ele? O ponto negro… desaparecera. Perdera de vista o seu verdadeiro alvo, no meio daquela tempestade. Tomou o seu caminho e continuou a sua caminhada. De novo só, de novo pensativo sobre o vazio profundo de agonia existente na sua vida.

Muitas vezes somos assim. Estamos no meio de uma grande tempestade, sozinhos, sem quem nos possa apoiar e lutamos por algo que só nós conseguimos ver “no fim do túnel”. Perdemos todas as nossas forças e escondemo-nos num abrigo só nosso. Ficamos lá, à espera que as coisas mudem e sentimo-nos bem porque não estamos a fazer mais nada do que esperar.
A luta que tivemos até então, por um alvo que se encontra para além de uma grande tempestade, deixa de ser importante quanto o problema somos nós mesmos!… e adormecemos.
Esse alvo desaparece.
O caminho para a salvação não é fácil. Estamos muitas vezes sozinhos, no meio de um caminho difícil de atravessar, mas com muita vontade de chegar até deus e ai sim nos protegermos. Mas na maioria das vezes optamos por “adormecer” no meio da luta… e perdemos tudo.

Carla Rodrigues



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