Falta de Respeito
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
Sempre fiquei impressionado com a história de 2 Reis 2:23-24. Achava que as crianças não tinham feito nada demais que justificasse uma maldição de Eliseu a ponto de 42 rapazes serem despedaçados por duas ursas. Por outro lado, acho que o ensino de Jesus é bem significativo quando diz: “Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam” (Lc 6:28).
Contudo, é importante entender o contexto da história contada no livro de Reis. Naquele tempo acreditava-se que a proferição de uma maldição sobre alguém traria resultados imediatos, como que de forma mágica. Também se acreditava que só um profeta de Deus poderia proferir maldição ou bênção. Era crença comum que a divindade concretizaria de imediato ou mais tarde aquilo que um dos seus servos dissesse. O texto, porém, tem algo mais que explica a sua razão de estar aqui. O profeta Eliseu dirige-se à cidade de Betel, que por razões óbvias deveria ser considerada a “casa de Deus”. Pelos vistos era antes a casa da idolatria. A palavra hebraica para “rapazes pequenos” é usada para designar diversas faixas etárias, desde crianças até jovens. Portanto, deveria ser um grupo com rapazes de várias idades. Somos informados que os rapazes saíram da cidade, isto é, vieram a correr da cidade para gozarem com Eliseu. A expressão “sobe calvo” pode significar que eles estavam a gozar por ele ser idoso, mas a palavra “sobe”, em hebraico, também significa “ir embora”. Penso que eles estavam a escorraçar Eliseu usando impropérios, dizendo: “Vai-te embora, careca”. Por fim, a palavra “amaldiçoar” significa “considerar desprezível”. Isto quer dizer que Eliseu virou o desprezo que lhe era dirigido para aqueles rapazes. Eliseu ignorou-os pura e simplesmente.
A história tem uma lição a dar-nos. Quando as crianças não são ensinadas a respeitarem os mais velhos, acabarão por sofrer as consequências, sendo desrespeitadas. Mas o problema maior não foi a atitude de Eliseu que relevou a situação para algo vil. Grave são as consequências que advêm do exterior. Provavelmente os pais estariam à porta da cidade, rindo das gracinhas dos rapazes, ou estando atarefados com os seus negócios, ou olhando indiferentes para a situação. As crianças saíram da cidade, sem limites, sem protecção, e as ursas saíram dos bosques, do mundo selvagem que não se compadece de ninguém. Estas são as consequências graves que podem surgir sobre crianças que não são ensinadas a ter limites e educação.
Há dias li num jornal a notícia de uma mãe que quer processar um médico porque deu uma bofetada no seu filho, uma vez que a criança só chamou o médico de “tótó”, diz a mãe. O médico apenas diz que já não tem paciência para aturar a má educação que os pais dão aos filhos, não os ensinando a respeitar os mais velhos. Infelizmente, quando uma criança, adolescente, ou jovem está a estragar algo que é público, de toda a gente, já ninguém pode dizer nada, pois corre o risco de ser maltratado verbal e fisicamente. É preciso que os pais ensinem os seus filhos a não proferirem determinado calão diante de quem quer que seja. É preciso que os pais ensinem os filhos a não proferirem qualquer palavra que denote sentimentos racistas. É preciso saber repreender os filhos na altura em que eles digam qualquer coisa que não é boa e que pode ferir susceptibilidades. É preciso ensinar os filhos a respeitarem os mais velhos.
