Vamos ou Ficamos?
Escrito por: Virgílio Barros | Categoria: Mensagem
O Evangelho de Marcos contém a comissão dada por Jesus aos seus discípulos da seguinte forma: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda a criatura” (Mc 16:15).
Convém, porém, notar duas coisas: a primeira é que o Imperativo é só um e encontra-se apenas no verbo “pregar”; a segunda é que o verbo “ir” está no Particípio. Isto significa que a ênfase está na pregação do evangelho e não no “ir por todo o mundo”. No entanto, sabemos que naquele tempo havia liberdade para as pessoas se movimentarem de região para região em busca de melhores condições de vida. Por isso, não será difícil entender que o Particípio pode ser traduzido da seguinte maneira: “Indo por todo o mundo…” Tendo em conta este estilo de vida, qualquer cristão que partia para outra região devia falar de Cristo e viver o verdadeiro Cristianismo.
Como o texto é usado para se apelar ao trabalho missionário no mundo, tem-se dado mais ênfase ao “ir”. Dando uma vista de olhos pelo mundo fora, creio que somos impelidos a sentir a grande necessidade de o evangelho chegar a muitos povos. Na Nigéria, a lei islâmica (“sharia”) condenava Safiya Hussaini à morte por apedrejamento, por ter dado à luz uma criança depois de estar divorciada. Mas ela alegou que tinha sido violada. A escritora indiana, Arundathi Roy, falando acerca do seu país, a Índia, disse: “Neste país, vivemos em vários séculos ao mesmo tempo”. A ministra afegã, Sima Samar, criticou o tipo de mentalidade dos seus colegas ministros dizendo: “Eles não estão habituados a ver descoberta a face de uma mulher ou a ver uma mulher sentada à mesma mesa com eles. Ignoram-me muito simplesmente.” Um escritor do Zimbabué disse que “Mugabe é um exemplo típico da obsessão do poder. Quer a todo o custo permanecer na Presidência, mesmo que isso signifique a morte de um país”. Pelo mundo fora encontramos ainda tanta corrupção, tanta miséria, tantas ideias e acções que lesam os direitos do ser humano. Nós acreditamos que o evangelho é a solução para todas essas situações, porque assenta em princípios de dignidade para o ser humano.
Ao mesmo tempo, olhando para o nosso país, somos confrontados com a mesma realidade que se vive pelo mundo fora. As pessoas são capazes de fazer tudo pelo dinheiro, por uma vida fácil e por estilos de vida ocos, sem sentido. Por outro lado estamos rodeados de pessoas vindas de outros países com costumes, hábitos e maneiras de pensar diferentes. Ainda no final de Março, o cargueiro “Mónica” descarregou 900 imigrantes curdos iraquianos na Sicília porque o capitão do navio ameaçou lançar ao mar 361 crianças que vinham a bordo. Eles vêm até nós, de África, do Brasil, da Ásia, de todo o mundo, buscando oportunidades de vida. E nós temos a oportunidade de, ficando, anunciar o evangelho. Quando os cristãos vivem na dependência do Espírito Santo, praticando os ensinos de Jesus, transmitem valores de equidade, de amor e de felicidade. É isto que os imigrantes no nosso país precisam de conhecer. Quer vamos ou fiquemos, temos de pregar esta novidade de vida que há em Cristo Jesus.
